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Lava Jato é pai e mãe da situação política que vivemos, diz Gilmar Mendes

Crítico da Lava Jato, Gilmar Mendes afirma que operação acabou virando "projeto de poder" - Cláudio Noy/Divulgação
Crítico da Lava Jato, Gilmar Mendes afirma que operação acabou virando "projeto de poder" Imagem: Cláudio Noy/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

26/06/2022 16h10

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes declarou que a Corte virou "bode expiatório" dos problemas do governo e desferiu novas críticas à Operação Lava Jato, a qual considera se tratar de um projeto de poder que abriu precedentes para uma crise política no país.

"A Lava Jato era um projeto que ia para além das atividades meramente judiciais. E (os integrantes) passaram, também, a acumular recursos", declarou ele em entrevista publicada hoje (26) no jornal Correio Braziliense.

É muito difícil dizer isso ab initio (desde o princípio). Mas, hoje, estou absolutamente convicto disso, de que havia um projeto de poder."
Gilmar Mendes fala sobre a Lava Jato em entrevista ao Correio Braziliense

Crítico da Lava Jato, o ministro mencionou que o projeto de poder foi exposto também por meio das mensagens de integrantes da força-tarefa divulgadas pela Vaza Jato. Para ele, a operação serviu para conseguir delações que falassem apenas sobre determinados agentes políticos: "Vieram as revelações da Vaza Jato, um jogo combinado: denúncias que eram submetidas antes ao juiz."

"Eu já disse que, de alguma forma, a Lava Jato é pai e mãe desta situação política a que chegamos. Na medida em que você elimina as forças políticas tradicionais, se dá ensejo ao surgimento — a política, como tudo no mundo, detesta vácuo — de novas forças. A Lava Jato praticamente destruiu o sistema político brasileiro, os quadros representativos foram atingidos. O Brasil produziu uma situação muito estranha."

Gilmar Mendes também apontou que "todos hoje são candidatos", em referência ao ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) e ao ex-procurador Deltan Dallagnol (Podemos), hoje filiados a partidos políticos.

Moro foi pré-candidato à Presidência pelo Podemos e hoje avalia se candidatar ao governo do Paraná pelo União Brasil. Dallagnol é pré-candidato a deputado federal pelo mesmo estado.

'Bode expiatório'

Gilmar Mendes afirmou que os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de apoiadores ao Supremo ocorrem pelo "incômodo com a ideia de limitação dos Poderes" advindo de "movimentos de inspiração populista".

"É uma democracia com limites, todos estamos submetidos a limites. Obviamente, precisa-se encontrar culpados, bodes expiatórios. E o bode expiatório visível, no contexto brasileiro, hoje, é o Supremo Tribunal Federal", afirmou.

Apesar dos ataques, o ministro afirmou não ver ameaças às eleições deste ano e disse confiar no sistema de votação brasileiro, hoje feito por meio das urnas eletrônicas.

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