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Caso Milton Ribeiro: ministro nega ter falado com Bolsonaro sobre a PF

Anderson Torres esteve com Bolsonaro no dia em que ex-ministro da Educação disse à filha que foi alertado sobre possibilidade de ser alvo de busca e apreensão - Elaine Menke/Câmara dos Deputados
Anderson Torres esteve com Bolsonaro no dia em que ex-ministro da Educação disse à filha que foi alertado sobre possibilidade de ser alvo de busca e apreensão Imagem: Elaine Menke/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

26/06/2022 12h41Atualizada em 26/06/2022 13h22

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, negou hoje, em postagem no Twitter, que tenha conversado sobre operações da PF (Polícia Federal) com o presidente Jair Bolsonaro (PL), durante viagem aos Estados Unidos no início do mês.

Bolsonaro esteve com Anderson Torres no dia 9 de junho, mesma data em que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro ligou para a filha e revelou que foi alertado pelo mandatário sobre a possibilidade de ser alvo de uma busca e apreensão —a pasta de Torres é responsável pela PF. Preso na última quarta-feira (22), Ribeiro foi solto no dia seguinte, após decisão da Justiça.

"Diante de tanta especulação sobre minha viagem com o Presidente Bolsonaro para os EUA, asseguro categoricamente que, em momento algum, tratamos de operações da PF. Absolutamente nada disso foi pauta de qualquer conversa nossa, na referida viagem", afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, em tuíte.

Bolsonaro viajou com quatro ministros para Los Angeles para participar da Cúpula das Américas. No evento, ele teve um encontro bilateral com o presidente norte-americano, Joe Biden.

Além de Torres, estavam na comitiva de Bolsonaro o chanceler Carlos França; o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; e o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite; além do secretário de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha.

"Hoje o presidente me ligou", disse Ribeiro para filha

Ex-ministro da Educação e homem de confiança do presidente Jair Bolsonaro, o pastor Milton Ribeiro, 64, foi preso pela PF em operação batizada "Acesso Pago". A ação apura indícios de pagamento de propina e atuação de lobistas no processo de liberação de verbas do ministério a municípios.

No centro das investigações está um esquema para liberação de verba coordenado por dois pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura, que envolveu até suspeita de propina em ouro.

De acordo com transcrição divulgada pela GloboNews e obtida pelo UOL, a conversa de Milton Ribeiro se deu com a filha. O ex-ministro diz que recebeu informações de Jair Bolsonaro sobre uma possível operação:

Ministro para a filha: "A única coisa meio... hoje o presidente me ligou... ele tá com um pressentimento, novamente, que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?"

Filha pergunta: "Ele quer que você pare de mandar mensagens?"

Ministro responde: "Não! Não é isso... ele acha que vão fazer uma busca e apreensão... em casa... sabe... é... é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? Se houver indícios, né?".

Mulher de Ribeiro disse no dia da prisão que ele já sabia

Myrian Ribeiro, esposa de Milton Ribeiro, disse no dia da prisão que o ex-ministro da Educação já "estava sabendo" sobre a realização da operação contra ele, mas se recusava a acreditar. O trecho do diálogo, e que consta nas investigações, foi divulgado hoje pelo jornal O Globo.

"No fundo não queria acreditar, mas ele tava sabendo. Pra ter rumores do alto, a coisa... é porque o negócio já tava certo", disse em telefonema interceptado pela Polícia Federal.

De acordo com o jornal, a ligação de Myrian aconteceu às 9h19 da última quarta-feira (22). Ela falava com uma pessoa da família e se dizia abalada com a situação, enquanto o parente tentava tranquilizá-la sobre a operação.

Delegado da PF diz que Ribeiro estava 'ciente' de buscas

O delegado da Polícia Federal Bruno Calandrini afirmou que o ex-ministro da Educação "estava ciente da execução de busca e apreensão em sua residência" e que recebeu a informação "supostamente" através de ligação recebida do presidente Jair Bolsonaro (PL).

As informações constam em despacho enviado por Calandrini à Justiça Federal e obtido pelo UOL. Mais cedo, o juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, encaminhou o caso para o STF (Supremo Tribunal Federal) após suspeita de interferência de Bolsonaro.

"Nos chamou a atenção a preocupação e fala idêntica quase que decorada de Milton com Waldemiro e Adolfo e, sobretudo, a precisão da afirmação de Milton ao relatar à sua filha Juliana que seria alvo de busca e apreensão, informação supostamente obtida através de ligação recebida do Presidente da República" Bruno Calandrini, delegado de Polícia Federal.

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