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MP do Trabalho de SC recebeu 313 denúncias de assédio eleitoral

Bloqueio rodoviário feito por apoiadores de Bolsonaro pedindo golpe de Estado em Santa Catarina - Reprodução/Globoplay
Bloqueio rodoviário feito por apoiadores de Bolsonaro pedindo golpe de Estado em Santa Catarina Imagem: Reprodução/Globoplay

Do UOL, em São Paulo

11/11/2022 17h56

Ao longo da corrida presidencial, trabalhadores catarinenses encaminharam 313 relatos de assédio eleitoral ao escritório estadual do MPT (Ministério Público do Trabalho). A informação consta de um relatório divulgado hoje (11) pela assessoria de imprensa.

O texto ainda ressalta que, do total, 21 comunicações de assédio eleitoral foram feitas depois da proclamação do resultado da eleição. Nestes casos, patrões pressionaram seus funcionários a engrossarem as manifestações que bloquearam rodovias ou irem para frente de quartéis pedir um golpe militar.

De acordo com a definição do MPT, o assédio eleitoral ocorre quando um empregado é intimidado, ameaçado ou constrangido no ambiente de trabalho por um superior ou colega que tenta manipular seu voto.

Oeste lidera denúncias. O relatório elaborado pelo MPT não divulgou as empresas que são suspeitas de terem cometido assédio eleitoral. Mas o documento informou que há 205 indústrias e comércios denunciados por funcionários. O oeste catarinense, região que concentra empresas do agronegócio, lidera as ocorrências.

Santa Catarina foi um dos estados que reagiu de maneira mais incisiva à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Logo depois do resultado das eleições, começaram a haver bloqueios de estradas e pedidos de intervenção militar. Candidato à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu no estado 69,27% dos votos no segundo turno. Lula ficou com 30,73%.

Lideranças identificadas. Além das investigações sobre constrangimentos a trabalhadores, uma apuração do Ministério Público de Santa Catarina identificou 12 lideranças que organizaram e financiaram os bloqueios. Os nomes não foram revelados para não atrapalhar os trabalhos, declarou o procurador-geral de Justiça, Fernando Comin.

Ele disse que vai seguir o caminho do dinheiro para definir o papel exato de cada empresário que atuou para fechar as rodovias e apontou as questões a serem respondidas: "Quem estava arrecadando dinheiro? Para onde ia este dinheiro? Quem colocou e financiou a estruturação desta base em cima destas rodovias? Quem incitou a prática de violência contra a polícia?".

Tentativa de homicídio em bloqueio. O empresário Willian Jaeger, 33 anos, foi preso por tentativa de homicídio depois de agredir um policial rodoviário federal na cabeça com uma barra de ferro. O crime ocorreu durante um bloqueio no trecho da BR-470 de Rio do Sul (SC), que fica na frente de uma loja da Havan.

Na terça-feira (8), o procurador-geral de Justiça de Santa Catarina se reuniu com o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Alexandre de Moraes. Eles acertaram o andamento da investigação que envolve a inteligência das polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal. Um trabalho semelhante é realizado em São Paulo e no Espírito Santo. Os detalhes da investigação são mantidos em sigilo.