Conteúdo publicado há 8 meses

Silvinei Vasques é preso por suposta interferência nas eleições de 2022

Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, foi preso preventivamente na manhã de hoje em Florianópolis.

O que aconteceu:

A PF deflagrou a Operação Constituição Cidadã para "esclarecer o suposto uso da máquina pública para interferir no processo eleitoral" no segundo turno do ano passado.

Vasques foi preso em Florianópolis pela Polícia Federal e a previsão é que ele seja transferido para a superintendência da PF em Brasília às 14h, onde vai prestar depoimento. O UOL apurou que ele vai passar a noite em uma cela da superintendência e, depois, vai ser levado para a Papuda.

Além do mandado de prisão de Vasques, a PF também cumpre 11 de busca e apreensão: dois em Santa Catarina, dois no Rio Grande do Sul, cinco no Distrito Federal e um no Rio Grande do Norte. A operação da PF tem apoio da Corregedoria Geral da PRF.

Ex-diretores também são alvos. Segundo apurou o UOL, foram alvos de busca e apreensão dois ex-coordenadores gerais e quatro ex-diretores do órgão. Wendel Benevides Matos, ex-corregedor da PRF, foi um deles. Outros 47 policiais rodoviários federais ainda serão ouvidos pela investigação da PF.

Em nota, a PRF diz que colabora com as autoridades "com o fornecimento de dados referentes ao trabalho da instituição, como o número de veículos fiscalizados e multas aplicadas nas rodovias federais".

A corporação também diz que há três processos administrativos disciplinares para apurar a conduta de Silvinei. Os processos foram encaminhados à CGU (Controladoria-Geral da União).

Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, complementou a PRF.

A reportagem ainda não conseguiu localizar a defesa dos alvos. A nota será atualizada se houver um retorno.

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Leia a íntegra da nota da PRF:

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanha a Operação Constituição Cidadã, que resultou na prisão do ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, ocorrida na manhã desta quarta-feira (9), em Florianópolis (SC), e no cumprimento de dez mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), determinados pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O Corregedor-Geral da PRF, Vinícius Behrmann, acompanha a operação, desde o início da manhã, na Sede da Polícia Federal, em Brasília. A PRF colabora com as autoridades que investigam as denúncias de interferência do ex-diretor-geral no segundo turno das eleições para a Presidência da República, em 30 de outubro de 2022, com o fornecimento de dados referentes ao trabalho da instituição, como o número de veículos fiscalizados e multas aplicadas nas rodovias federais.

Paralelamente às investigações no STF, foram abertos três processos administrativos disciplinares, no âmbito da PRF, para apurar a conduta do ex-diretor-geral. Os procedimentos foram encaminhados à Controladoria-Geral da União (CGU), órgão com competência para apurar a conduta do ex-diretor-geral da PRF.

Motivo das investigações

Segundo a PF, integrantes da PRF supostamente direcionaram recursos para dificultar o trânsito de eleitores em 30 de outubro, dia do segundo turno das eleições, sobretudo no Nordeste, região em que o então candidato Lula (PT) teve maioria dos votos no primeiro turno.

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Os crimes apurados teriam sido planejados desde o início de outubro daquele ano, sendo que, no dia do segundo turno, foi realizado patrulhamento ostensivo e direcionado à região Nordeste do país.
Trecho de comunicado da PF

Os investigados podem responder por prevaricação e violência política, além dos crimes de impedir ou embaraçar o exercício do voto e ocultar, sonegar, açambarcar ou recusar no dia da eleição o fornecimento de utilidades, alimentação e meios de transporte, ou conceder exclusividade dos mesmos a determinado partido ou candidato.

Na véspera das eleições, Vasques pediu votos para Bolsonaro nas redes sociais.

O UOL divulgou dados de um documento interno da PRF que apontam que o órgão, sob Silvinei Vasquez, escalou mais agentes de folga para trabalhar nas blitze no segundo turno em estados onde Lula havia ganhado de Bolsonaro (PL) no primeiro turno. O custo total da operação foi de mais de R$ 1,3 milhão.

Entenda o caso

No segundo turno das eleições, em 30 de outubro de 2022, a PRF realizou mais de 500 operações no transporte de eleitores em várias estradas do país, com maior foco no Nordeste, região onde o então candidato Lula (PT) tinha maioria dos votos.

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Nas redes sociais surgiram dezenas de relatos de eleitores que disseram ter enfrentado dificuldades para chegar aos locais de votação. Na campanha do PT, a pressão foi grande para que Moraes prendesse Vasques e estendesse o horário de votação.

Moraes ameaçou prender Silvinei, mas não prorrogou o horário para votar. Posteriormente, o presidente do TSE afirmou que as operações da PRF não atrapalharam o resultado das urnas.

Em dezembro de 2022, Vasques foi dispensado do comandado da PRF. Posteriormente, o órgão concedeu aposentadoria voluntária ao ex-diretor.

Vasques é investigado por improbidade administrativa por, supostamente, usar indevidamente o cargo que ocupava na PRF — em depoimento à CPMI do 8 de janeiro, ele negou interferências nas eleições.

Vasques é aposentado desde 21/12/2022, um dia depois de ter sido exonerado do cargo de diretor-geral da PRF. A aposentadoria se deu por tempo de serviço prestado, já que atuou por mais de 20 anos na corporação.

A CPMI também diz ter provas de que Silvinei participou de atos preparatórios dos ataques golpistas às sedes dos três Poderes. Um documento foi entregue ao STF.

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