Novo advogado de Cid chamou golpistas do 8/1 de 'asseclas de Bolsonaro'

Preso no Batalhão do Exército de Brasília desde maio, o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, contratou ontem um advogado progressista para defendê-lo nos processos que correm no STF, entre eles o caso das joias.

Terceiro advogado a assumir a defesa de Cid, o criminalista Cezar Bitencourt utiliza as redes sociais para tratar de temas como aborto, homofobia e racismo. Na imprensa, já criticou a prisão de Lula, disse que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e chamou de "asseclas de Jair Bolsonaro" os invasores dos prédios dos Três Poderes.

O que Bitencourt já disse

"Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade". "Acordamos todos estarrecidos com a afronta do presidente da República ao Supremo Tribunal Federal", disse ele no ano passado sobre a concessão de perdão dada pelo ex-presidente à condenação pelo STF do ex-deputado federal Daniel Silveira por tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes e coação em processo judicial. Este ano, o plenário do STF derrubou o decreto do ex-presidente.

Ontem ele [Bolsonaro] editou um decreto concedendo a graça (...) cometendo um crime de responsabilidade que afronta o Poder Judiciário. Mas não haverá pedido de impeacment. O centrão segura.
Cezar Bitencourt, advogado, em 29 de junho de 2022

Mauro Cid com Jair Bolsonaro
Mauro Cid com Jair Bolsonaro Imagem: Alan Santos/PR

Prisão de Lula. Depois de defender em artigo ao site jurídico Conjur (de 2016) que o pedido de prisão preventiva de Lula "foi açodada, intempestiva e ilegal", Bitencourt afirmou que "Lula foi condenado sem provas" no caso do tríplex no Guarujá. Ele citou "documentos anotados à mão, com rasuras e sem assinatura do acusado ou de seus familiares". "Essa suposta prova não comprova a posse e tampouco a propriedade de imóvel algum", escreveu.

8 de janeiro. Para Bitencourt, "a violência gerenalizada e antidemocrática" na Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi "protagonizada por vândalos e asseclas irracionais de Jair Bolsonaro".

O resultado [eleitoral] é consequência da escolha livre, democrática e soberana da vontade da maioria dos brasileiros que optaram pelo candidato vencedor.
Cezar Bitencourt, advogado, em 11 de janeiro deste ano

Indicação de Cristiano Zanin para o STF. O criminalista defendeu em 2 de junho a indicação do advogado pessoal de Lula para o Supremo. "Não vejo nenhum problema no fato dele ter sido advogado do presidente", afirmou. "[A escolha] é de foro íntimo, e nesse aspecto Lula tem muita experiência, indicou nove ministros, e não vi nenhum erro grave [deles]."

Advogado de Mauro Cid cumprimenta Cristiano Zanin, indicado por Lula para assumir vaga no STF
Advogado de Mauro Cid cumprimenta Cristiano Zanin, indicado por Lula para assumir vaga no STF Imagem: Reprodução
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Assédio sexual de bolsonarista. O atual defensor de Mauro Cid comentou "a denúncia de crime de assédio sexual praticado na cúpula da Caixa Econômica Federal", em junho do ano passado. "O mais grave: o acusado é seu próprio presidente", disse, em referência ao bolsonarista Pedro Guimarães, que sempre negou as denúncias. "A gravidade maior do crime é que o indivíduo se aproveita do seu poder sobre as vítimas", disse o defensor.

Aborto. Segundo o advogado, o STF citou uma tese sua quando decidiu estender o aborto legal ao feto gerado sem cérebro. "Eu tratei do aborto de anencéfalo antes da decisão do Supremo [em 2012]", afirmou. Em 2020, escreveu, em artigo no site Migalhas, sobre os outros dois tipos de aborto permitido por lei: quando a mulher corre risco de vida e quando a gravidez é fruto de estupro.

Qualquer das duas modalidades de aborto são legais, éticos e humanitário para preservar a vida, na primeira hipótese e, na segunda, no mínimo alivia um pouco o sofrimento da vítima e restaura, dentro do possível um pouco da dignidade da vítima.
Cezar Bitencourt, em 24 de agotos de 2020

Homofobia. Bitencourt criticou em junho deste ano a decisão da Suprema Corte Americana, que permitiu a uma empresa negar a prestação de serviço a casais do mesmo sexo. "A corte americana deu um passo atrás", disse ele, ao considerar que a decisão "da maioria conservadora (...) fomenta a discriminação sexual" nos Estados Unidos.

Racismo. "Juiz racista expulsa advogado de audiência", disse o advogado em um vídeo sobre o magistrado Carlos Alberto Garcete, que expulsou de uma audiência o advogado negro Willer de Almeida por ter oferecido um copo d'água a uma testemunha. "Isso é intolerável, inadimissível", afirmou no dia 12 de junho. A Associação de Magistrados de Mato Grosso do Sul defendeu o juiz por "manter a disciplina e o decoro durante o curso do processo".

Feminicídio. "O que está havendo com os homens? Por que tanta violência contra a mulher?", questionou no Instagram, em 7 de dezembro passado. "Por que não podemos passar duas, três semanas sem um feminicídio?"

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A defesa de Mauro Cid

Contrário às delações premiadas, o novo advogado do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro disse hoje que seu cliente "é inocente, há uma perseguição despropositada". Também afirmou que Cid cumpre "ordens acima de tudo".

Não gosto, sou contra a delação premiada, considero até antiético. Não vou dizer que desse leite não beberei, mas se eu puder, não usarei.
Cezar Bitencourt, em entrevista à CNN

Alguém mandou, alguém determinou, ele é só o assessor. Assessor cumpre ordens. Vamos examinar os fatos, saber quem é quem, até onde vai a responsabilidade de um e de outro.
Bitencourt, em entrevista à GloboNews

O tenente-coronel está preso preventivamente desde maio por suspeita de falsificar dados de vacinação da covid-19 para burlar exigências sanitárias na pandemia. Ele é investigado em oito inquéritos que tramitam no Supremo e na Polícia Federal — entre eles o que apura a participação do militar nos atos golpistas de 8 de janeiro.

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