Conteúdo publicado há 3 meses

Atos de 8/1: relator da CPI do DF pede indiciamento de GDias e poupa Torres

O relator da CPI do DF sobre os ataques de 8 de janeiro, deputado distrital Hermeto (MDB), pediu o indiciamento de Gonçalves Dias, ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Lula. A defesa nega omissão por parte de Dias.

O que aconteceu

Relatório atribuiu quatro crimes ao general. O indiciamento cita abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo a vítima; e deterioração de patrimônio tombado.

Deputado disse que é "evidente" que GDias teve informações para adaptar plano de segurança do GSI. "Essas informações, originadas da principal agência de inteligência do país, se oportunamente compartilhadas com os órgãos atuadores, favoreceriam a mudança do 'Plano Escudo'", escreveu o deputado Hermeto (MDB).

A defesa de GDias disse que não houve omissão "penalmente relevante" do ex-chefe do GSI. "O general fez tudo o que estava ao seu alcance, diante das informações que possuía no momento, para evitar os fatos ocorridos no dia 08/01, o que impossibilita qualquer tipificação penal", afirmou o advogado André Callegari, em nota enviada ao UOL.

Tinha o General Gonçalves Dias, ao menos por prudência, a responsabilidade de atuar para preservar o Palácio do Planalto, cujo contexto, face às informações de inteligência que possuía, lhe obrigavam a agir de maneira proativa para mitigar qualquer ameaça iminente a estabilidade do governo.
Trecho do relatório final da CPI

Relator não pediu o indiciamento de Anderson Torres

O relatório pediu o indiciamento de dois subordinados ao ex-secretário de segurança do DF. Ao analisar a atuação da secretaria, os pedidos foram para indiciar o ex-secretário-executivo Fernando de Souza Oliveira e a subsecretária de operações integradas Cíntia Queiroz de Castro. O ex-chefe da pasta Anderson Torres não foi indiciado.

Em nota, a defesa de Anderson Torres diz que recebeu a notícia "com serenidade". Segundo o texto, "Anderson Torres cooperou com todos os atos investigativos: na Justiça, na CPI e na CPMI do Congresso Nacional, e está à disposição, pautado na verdade, já que é o maior interessado em esclarecer os fatos ocorridos no dia 8 de janeiro deste ano".

Para o deputado Hermeto (MDB), Cíntia e Casimiro tiveram acesso a relatórios de inteligência e obtiveram informações em reuniões com a PF que poderiam ser compartilhadas com órgãos responsáveis por planejar a segurança no dia 8 de janeiro.

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Ex-comandante da PM também foi citado em relatório apresentado à CPI. Segundo o documento, o coronel Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues não adotou providências para corrigir os rumos operacionais da corporação durante os ataques à Praça dos Três Poderes e seguiu plano inicial que citava baixa adesão aos atos antidemocráticos.

O UOL tenta localizar a defesa dos demais indiciados.

Bolsonaro, Braga Netto e Augusto Heleno foram poupados

O relatório final apresentado à CPI também poupou o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-vice-presidente, Braga Netto, Augusto Heleno, ex-chefe do GSI, e Ibaneis Rocha (MDB), governador do DF foram outros que ficaram fora da lista de indiciamento.

Hermeto é policial militar da reserva da PM do DF. Em seu relatório, ele aproveitou para pedir aumento salarial dos policiais. Ele disse que a remuneração da categoria "há anos vem sofrendo perda do poder de compra".

* Com informações da Agência Estado

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