Conteúdo publicado há 1 mês

Renan diz que vai deixar CPI da Braskem após escolha de relator do PT

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse que vai sair da CPI da Braskem após não ter sido escolhido como relator.

O que aconteceu

Calheiros queria ser o escolhido para relatar caso por ser de Alagoas. O indicado para o posto foi o senador Rogerio Carvalho (PT-SE). O presidente será o senador Omar Aziz (PSD-AM), e o vice-presidente designado foi o senador Jorge Kajuru (PSB-GO).

A comissão vai investigar a atuação da petroquímica em Maceió. O foco será apurar a responsabilidade da Braskem pelo afundamento de solo provocado em cinco bairros da capital.

"A designação do senador Rogério Carvalho é regimental. [...] Em função da designação do senador Rogério Carvalho para ser o relator da comissão, eu evidentemente não concordo, não concordarei, e não vou concordar com os prejuízos a Alagoas. Eu como senador teria legitimidade maior ainda para defender os interesses do estado. Respeito o Rogerio, é um dos grandes senadores da casa, mas não vamos aceitar", disse.

O presidente da CPI justificou a indicação pela necessidade de uma investigação "totalmente isenta". Omar Aziz havia pedido compreensão de Calheiros: "Sei da sua preocupação com o seu estado. Sei também que Vossa Excelência tem todo interesse de investigar a fundo e deve contribuir com essa CPI como membro."

Calheiros culpa a Braskem pela tragédia socioambiental ocorrida em Maceió. O parlamentar é pai do ex-governador de Alagoas e atual ministro dos Transportes, Renan Filho, e também é padrinho político do atual governador do estado, Paulo Dantas (MDB).

Mesmo tendo criado a CPI, mesmo tendo estabelecido o fato determinado, mesmo tendo coletado assinatura por assinatura, eu deixo essa comissão parlamentar de inquérito exatamente por não concordar com o encaminhamento da relatoria
Senador Renan Calheiros

Entenda a crise em Maceió

Vista geral da região que engloba os bairros Pinheiro, Mutange, Bom Parto e Bebedouro, em Maceió, no estado de Alagoas, onde os moradores tiveram que deixar suas casas devido a instabilidade do solo causada pela extração da sal-gema pela Braskem
Vista geral da região que engloba os bairros Pinheiro, Mutange, Bom Parto e Bebedouro, em Maceió, no estado de Alagoas, onde os moradores tiveram que deixar suas casas devido a instabilidade do solo causada pela extração da sal-gema pela Braskem Imagem: PEI FON - 4.nov.2020/ESTADÃO CONTEÚDO
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Problemas socioambientais provocados pela exploração de sal-gema da Braskem em Maceió começaram em 2019. Naquela data, o solo começou a afundar e os moradores tiveram suas casas rachadas próximo onde está situada a mina 18.

Desde então, cinco bairros tiveram o solo afundado. Segundo a Braskem, cerca de 40 mil pessoas foram diretamente afetadas, precisando sair de suas residências. Ainda de acordo com a empresa, o grupo está sendo indenizado.

A crise chegou ao ápice recentemente, com alerta da Defesa Civil de Maceió para o rompimento da mina 18, o que ocorreu em dezembro de 2023. Após o colapso, a lagoa Mundaú, onde a mina rompeu, registrou redemoinho e alertou a Defesa Civil do estado.

No âmbito jurídico, a Braskem fechou acordo de R$ 1,7 bilhão com a Prefeitura de Maceió, mas não assumiu responsabilidade pela crise na capital. O acordo é rechaçado pelo governo estadual, que classifica como "ilegal" e busca revertê-lo. A questão também envolve protagonismo político em Alagoas ao opor as famílias Calheiros e Lira.

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