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'Ninguém vai programar um golpe na frente de 30 pessoas', diz Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse hoje (27) que ninguém planejaria um golpe de Estado "em uma reunião com 30 pessoas". O ex-presidente falou em entrevista ao programa "Oeste Sem Filtro", do veículo conservador Revista Oeste.

O que aconteceu

Reunião não deveria ter sido gravada, disse Bolsonaro. Orientação de não deixar rastros das reuniões ministeriais ocorreu após Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, ter acusado o ex-presidente de interferir na Polícia Federal.

Bolsonaro fez referência à gravação, obtida pela PF, na qual ele discute com ministros ações a serem tomadas caso perdesse as eleições. A filmagem foi encontrada no computador de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes chamou o encontro de "o arranjo de dinâmica golpista no âmbito da alta cúpula do governo".

Alguém gravou essa reunião de 2022, não sei quem foi. Mas ninguém vai programar um golpe na frente de 30 pessoas, pelo menos.
Jair Bolsonaro

Polícia Federal deve incluir declaração de Bolsonaro em ato do domingo (25) no inquérito. No ato com apoiadores, Bolsonaro argumentou que não poderia dar um golpe com instrumentos da Constituição, como um decreto de sítio. Uma minuta com o plano que ignorava o resultado legítimo das urnas e sugeria até a prisão de ministros do Supremo foi debatida e modificada pelo ex-presidente, apontam as investigações.

Bolsonaro admitiu fala 'grave' sobre urnas. Para ele, sua declaração mais grave foi ter acertado, "sem querer", a porcentagem de 49% dos votos que obteve ao fim do 2º turno, quando foi derrotado por Lula.

Ex-presidente voltou a pedir por uma anistia a investigados e condenados por atos golpistas —e sugere que Executivo encabece projeto. Para Bolsonaro, esse seria um ato de "apaziguamento". No entanto, ele próprio admite que nem o Congresso tem parlamentares o suficiente para apoiar projeto.

Outros atos de apoio não estão previstos. Questionado sobre possibilidade de mais manifestações para demonstrar força política, Bolsonaro negou que haja alguma programação em planejamento.

Ex-presidente também comentou de inquérito da PF sobre importunação de baleias. Em depoimento prestado hoje, o ex-presidente confirmou ser a pessoa identificada no vídeo e acusou o ministério de Marina Silva, a pasta do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, por ter apontado ao Ministério Público Federal possíveis crimes ambientais no caso. Bolsonaro disse esperar que o caso seja arquivado.

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Em crítica mais "dura", Bolsonaro chamou de "inacreditável" a declaração de Lula sobre os ataques israelenses na Faixa de Gaza. "Ele que fala tanto em paz, humanismo, não moveu uma palha para libertar os brasileiros presos pelo Hamas", declarou —no entanto, Lula conversou no ano passado com familiares de um brasileiro que foi mantido refém pelo Hamas.

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