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Josias: Lewandowski se converteu em administrador de crise

Há pouco mais de um mês como ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski se converteu em administrador de crise após a fuga de dois detentos do presídio federal de Mossoró (RN), analisou o colunista Josias de Souza no UOL News da manhã desta segunda-feira (4).

Fernandinho Beira-Mar, uma das principais lideranças do Comando Vermelho, foi transferido para Catanduvas, no Paraná, no sábado (2). A mudança se deu após a penitenciária registrar a primeira fuga de detentos de uma unidade de segurança máxima.

O Lewandowski assumiu há pouco mais de um mês e ele se converteu em um administrador de crise. Ele não é ministro da Justiça, ele está administrando uma crise. Há três semanas que o governo está mobilizando todo seu aparato de captura e está atrás de dois prisioneiros. A transferência de presos em presídios federais não é incomum, o que é incomum é esse número, com Fernandinho Beira-Mar e 23 presos.

É tudo muito constrangedor. O que constrange mais é a demora em recapturar dois fugitivos da prisão de Mossoró e a revelação de que os presídios de segurança máxima do Brasil não oferecem essa máxima segurança que pressuponha. Esses presos fugiram por um vão onde estava uma luminária, e saíram pelo teto, sem nenhuma laje que os impedisse, e caminharam pelo pátio filmados pelas poucas câmeras que funcionavam [...] Ficou entendido que o presídio não oferece que os brasileiros suponham.

Mais constrangedor ainda foi a descoberta de que essa insegurança estava registrada em documentos oficiais, essa possibilidade de fuga pelo vão da luminária tinha sido documentada durante o governo Lula e o então ministro Flávio Dino não tomou providências. Não se pode atribuir culpa ao Lewandowski, que assumiu quando o problema já estava diagnosticado.

Essa insegurança nos presídios de segurança máxima tinha sido detectada já na gestão Sergio Moro, no governo Bolsonaro, e nada se fez para resolver os problemas.

O que aconteceu

Segundo a Justiça Federal no Rio Grande do Norte, o rodízio de internos entre as penitenciárias federais é estratégia de rotina. Além de Fernandinho Beira-Mar, mais 23 detentos foram transferidos para outras unidades federais.

O Brasil reúne cinco presídios de segurança máxima sob coordenação do Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), do Ministério da Justiça. Essas unidades estão situadas em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Distrito Federal.

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São prisões construídas para receber lideranças do crime organizado e condenados de alta periculosidade. Ao todo, os cinco presídios abrigam 489 presos.

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