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Coronavírus: Brasil tem 9 casos suspeitos; governo fala em "emergência"

Quase 3 mil casos do novo coronavírus já foram confirmados, a maioria deles na China - EPA
Quase 3 mil casos do novo coronavírus já foram confirmados, a maioria deles na China Imagem: EPA

Alex Tajra, Guilherme Mazieiro e Juliana Arreguy

Do UOL, em Brasília e São Paulo

29/01/2020 16h55

Resumo da notícia

  • Ministério da Saúde diz que há nove casos suspeitos de coronavírus no país
  • Três deles estão em São Paulo; o primeiro foi registrado em Minas Gerais
  • Pasta vai passar a informar diariamente as atualizações sobre os casos que envolvem a doença
  • Fiocruz vai fazer as análises dos casos para confirmar -- ou refutar -- as suspeitas

O Ministério da Saúde informou nesta tarde que chegou a nove o número de casos suspeitos de coronavírus no Brasil, sendo três no estado de São Paulo. Segundo a pasta, não há nenhum caso confirmado no país até o momento.

Os outros casos suspeitos estão em Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), Santa Catarina (2), Paraná (1) e Ceará (1).

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, o país teve 33 notificações ao todo, mas as demais foram rejeitadas.

"Os nove casos que se enquadraram na definição de suspeito viajaram para China. Nenhum foi de pessoa que teve contato com outro suspeito. Todos os nove se enquadram nessa definição", considerou diretor do departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, Júlio Croda.

Em todo mundo são 6.065 casos, com 132 mortes, a maioria na China, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). A organização corrigiu o nível de alerta para "muito alto na China", "alto" em nível regional e no resto do mundo.

"Estamos em emergência de saúde pública. Não podemos perder a oportunidade de intervenção. A notificação (de suspeita) deve ser imediata e pode ser feita por diversos meios de comunicação", declarou Croda.

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Croda também alertou para o fato de que o vírus não apresenta um sintoma próprio, sendo fácil confundi-lo com outras infecções. Ainda assim, disse ser "difícil" que uma pessoa contraia mais de um, como no caso de um paciente que teve a suspeita de coronavírus descartada após receber um diagnóstico de H1N1,

Os coronavírus causam infecção respiratória em animais e humanos. Os tipos mais comuns do vírus causam doenças respiratórias leves como resfriados, mas em alguns casos podem resultar em infecções mais graves como Sars (síndrome respiratória aguda, em português).

Fiocruz vai fazer análise

Todos os pacientes estão passando por testes genômicos para uma possível identificação do vírus, analisando o material genético.

Mais cedo, o ministério informou que um protocolo específico será seguido para coleta e diagnóstico de casos suspeitos do coronavírus. Quando, em alguma instituição de saúde, um paciente tiver características que atendem à definição de 'caso suspeito', duas amostras serão colhidas e enviadas aos Lacen (Laboratórios Centrais de Saúde Pública).

Depois do primeiro diagnóstico realizado pela Lacen, caberá à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) fazer a validação e os testes específicos. A Fundação será responsável pelos diagnósticos. O procedimento será ampliado para os institutos Adolfo Lutz e Evandro Chagas.

O diagnóstico laboratorial específico para coronavírus inclui as seguintes técnicas: detecção do genoma viral por meio das técnicas de RT-PCR em tempo real; e sequenciamento parcial ou total do genoma viral.

Carnaval e viagem à China

Durante a coletiva, o secretário-executivo do ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, foi questionado sobre como serão os procedimentos da pasta em relação ao Carnaval. Reis afirmou que, até o momento, não há nenhuma determinação específica sobre o período festivo, e que não há "nenhuma decisão de interferência ou intervenção mais drástica em relação ao Carnaval".

"Esse é um processo em que todos nós estamos aprendendo. Nenhum de nós tem a possibilidade de responder qual velocidade que esse possível surto vai se desenvolver no país. A gente não tem elementos para fazer essa projeção", disse Reis, complementando em seguida: "Vamos comunicar as pessoas o que elas podem fazer para reduzir as possibilidades de transmissão".

O secretário também reafirmou a recomendação do ministério para que os brasileiros não viajem à China, a não ser em caso de extrema necessidade. Sobre as viagens de chineses ao Brasil, ele afirmou que "não cabe ao governo brasileiro" interferir, mas que houve uma orientação às empresas brasileiras para evitar organizar reuniões físicas com pessoas que vieram da China.

"Há expectativa de que venham menos chineses ao Brasil porque o próprio governo está fazendo essa recomendação. (...) A gente acredita que isso possa reduzir consideravelmente o número de pessoas que chegam ao Brasil", disse Reis.

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