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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta terça-feira (24)

Do UOL, em São Paulo

24/03/2020 15h16

Pela primeira vez na história uma edição dos Jogos Olímpicos foi adiada. A decisão foi anunciada hoje em comum acordo entre Japão e Comitê Olímpico Internacional, transferindo de 24 de julho para 2021 a competição, em um dia em que o surto de coronavírus ainda ficou marcado pelo registro de mais de 500 mortes na Espanha devido à covid-19, a quarentena para mais de 1 bilhão de pessoas na Índia e o Brasil seguindo no debate dos impactos econômicos da pandemia.

O Brasil tem registro oficial de 46 mortes, segundo os dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde, com 2.201 casos oficiais confirmados.

Jogos Olímpicos, só em 2021

Depois de enfrentar pressão de diversos comitês internacionais, incluindo o brasileiro, e de atletas e patrocinadores, o COI confirmou que não haverá Olimpíada em 2020. O governo japonês e a entidade entraram em acordo para adiar a Olimpíada e também a Paralimpíada. A cerimônia de abertura olímpica estava marcada para o dia 24 de julho, enquanto o evento paraolímpico começaria em 25 de agosto.

Uma nova data de abertura ainda não foi definida, mas o anúncio, feito hoje (24) após videoconferência entre as autoridades japonesas e membros do COI, fala em 2021. Essa é a primeira vez na história dos Jogos Olímpicos de verão que o evento é adiado. Em outras ocasiões, por causa das duas Guerras Mundiais, a competição foi cancelada: 1916, 1940 e 1944.

A decisão foi comemorada por muitos atletas, que terão tempo para se preparar mais adequadamente para a competição, para muitos a mais importante em um ciclo de quatro anos.

O coronavírus no Brasil

Enquanto luta para desacelerar o surto do coronavírus, o Brasil se volta à ação dos políticos e as resoluções que podem ou não auxiliar a população no período de crise que deve resultar da pandemia. Se ontem Jair Bolsonaro voltou atrás no artigo que poderia deixar trabalhadores sem salário por 4 meses, a mesma medida provisória ainda causa preocupação.

Em um artigo, o 29, afirma-se que os "casos de contaminação pelo coronavírus (covid-19) não serão considerados ocupacionais", ou seja, não serão considerados acidentes ou doenças de trabalho, exceto quando o trabalhador conseguir comprovar que essa contaminação aconteceu no escritório, comércio ou fábrica. Assim, trabalhadores infectados poderiam ser demitidos de seus empregos.

Ainda na parte econômica, o governo voltou atrás e deixou que os estados decidam sobre bloqueios de estradas. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, defendeu corte de até 20% no salários de servidores durante crise do coronavírus, nos três Poderes, como forma de economizar R$ 3,6 bilhões.

A Polícia Federal anunciou a suspensão da entrega de passaportes e registro para imigrantes enquanto durar o estado de emergência.

Entre os casos de vítimas da pandemia, uma denúncia foi feita pela mãe de um rapaz que morreu no sábado, com sintomas da covid-19. Ele teria sido diagnosticado tardiamente, e não resistiu à doença, em um óbito ainda não computado nos números oficiais brasileiros.

Brasil e China

Depois da crise diplomática envolvendo Eduardo Bolsonaro e a embaixada chinesa no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que ligou para o comandante do país asiático, Xi Jiping, para aliviar a tensão.

Segundo Bolsonaro, a ligação aconteceu para reforçar "nossos laços de amizade, troca de informações e ações sobre o covid-19 e ampliação de nossos laços comerciais".

Coronavírus em SP

Depois de o infectologista David Uip, um dos principais responsáveis pelas medidas relacionadas à covid-19 no estado de São Paulo, ter teste com resultado positivo para o coronavírus e se quarentenar, o governador João Doria e o prefeito da capital paulista Bruno Covas tiveram exames dando negativo para a doença.

Doria e Covas - SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO - SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

O estado de São Paulo anunciou que presidiários produzirão 320 mil máscaras hospitalares para serem usadas pelos órgãos de saúde.

Solidariedade

Se o Rio de Janeiro se preocupa com a expansão da doença, há quem esteja tomando medidas para ajudar os mais necessitados. É o caso do motoboy Wallace dos Santos Soares, de 29 anos, que alterou sua rotina e vem usando dois dias de sua semana para atender gratuitamente a demandas de idosos e outras pessoas de sua vizinhança que fazem parte do grupo de risco da covid-19.

O primeiro-ministro indiano - Saurabh Das/AP - Saurabh Das/AP
O primeiro-ministro indiano
Imagem: Saurabh Das/AP

Índia em quarentena

Uma das medidas mais drásticas do dia foi o decreto de quarentena para a população da Índia, de mais de 1 bilhão de pessoas, para evitar que o coronavírus se espalhe.

Narenda Modi, primeiro-ministro do país, anunciou que o isolamento vale a partir da meia-noite. Já são 434 casos oficiais da covid-19 em indianos, com nove mortes.

"Esqueça o que é sair por 21 dias. Fique em casa", ordenou ele.

Mortes na China

A China voltou a registrar um caso considerável de mortes pela covid-19. Foram sete, com um crescimento também do caso de casos importados, por pessoas que retornaram de viagem de outros países, o que se tornou uma segunda leva do coronavírus na Ásia. Foram 74 casos importados, contra apenas quatro locais.

Entre as medidas para tentar voltar o país ao seu estado normal, um trecho da Muralha da China foi aberto a visitação, mas ainda com medidas cautelosas.

Subida nas mortes da Espanha

A Espanha vive seu momento mais delicado desde o começo da pandemia, com explosão no número de mortos. Hoje o país europeu confirmou que em 24 horas houve 514 mortes e mais de seis mil novos casos. O país vem realizando um grande esforço para testar sua população e não perder o controle da doença.

A região de Madri é a mais afetada. As autoridades locais transformaram um local famoso por ter um enorme rinque de patinação em um necrotério temporário, para poder receber o número crescente de mortos.

A situação é tão crítica entre os espanhóis, que foram descobertos corpos de idosos em asilos. Eles morreram nos locais após funcionários os abandonarem, por conta da epidemia.

Caixões de pessoas que morreram na Itália por conta do coronavírus - Reuters - Reuters
Imagem: Reuters

Itália: número volta a crescer

Ainda o país com maior número de mortes nos últimos dias - e já tendo superado o total de vítimas fatais da China - a Itália voltou a apresentar números angustiantes de mortos: foram 753 nas últimas 24 horas, de acordo com as estatísticas oficiais.

Já são 6.820 mortes na Itália e um total de cerca de 70 mil casos oficiais.

Estados Unidos

No mesmo dia em que a OMS alertou para as grandes chances de os Estados Unidos se tornarem o novo epicentro do vírus, o país teve estimado que há registro de 600 mortes e quase 50.000 casos de covid-19, os colocando atrás apenas de Itália e China.

Donald Trump tenta manter o otimismo e evitar mais danos à economia e declarou que espera que até a Páscoa a situação se normalize no país. "Temos que voltar a trabalhar", clamou ele.

Enquanto isso, o magnata da tecnologia Elon Musk anunciou que comprou ventiladores hospitalares da China para serem usados nos pacientes norte-americanos.

Uma das vítimas fatais nos EUA causou impacto, por ser de um homem que morreu depois de se automedicar com cloroquina, um medicamento que é cotado para ser usado no tratamento da covid-19.

Lutos nas artes

Uma das mortes noticiadas hoje pelo coronavírus deixou o mundo da música de luto. Foi a de Manu Dibango, saxofonista camaronês e lenda do afro-jazz, que morreu aos 86 anos na França.

A informação foi confirmada na manhã de hoje por um dos responsáveis pela sua gravadora.

O camaronês, um dos percursores da world music, foi uma das primeiras celebridades no mundo a morrer devido ao novo coronavírus. A vida de Emmanuel N'Djoke Dibango foi inteiramente dedicada à música. Ele ficou conhecido mundialmente com o sucesso de Soul Makossa, em 1972.

Adiamento no cinema

Seguindo o que ocorreu com outros blockbusters, "Mulher-Maravilha 1984" não manterá sua data original de estreia, por conta do surto do novo coronavírus, que fechou cinemas mundo afora.

O filme protagonizado por Gal Gadot estrearia em 5 de junho nos cinemas norte-americanos e foi deslocado para 14 de agosto. A decisão evitou um estudo da Warner Bros, que cogitou colocá-lo apenas no streaming. "Quando aprovamos o filme, foi com intenção de ser visto na telona [dos cinemas]", afirmou o estúdio.

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