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UFRJ recomenda lockdown em todo o estado do Rio para combater coronavírus

Sepultamento de vitimas de coronavirus no Cemitério de Irajá, na zona norte do Rio - JORGE HELY/ FRAMEPHOTO/ ESTADÃO CONTEÚDO
Sepultamento de vitimas de coronavirus no Cemitério de Irajá, na zona norte do Rio Imagem: JORGE HELY/ FRAMEPHOTO/ ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

08/05/2020 17h06

A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) vai enviar hoje ao Ministério Público do Rio um ofício com a recomendação da implantação do isolamento total no estado, o chamado lockdown. O documento já foi publicado pela universidade em seu site oficial.

"O lockdown - isolamento total - no estado do Rio de Janeiro, acompanhado por ações que garantam condições básicas de manutenção da vida e da saúde, por meio da garantia de abastecimento em geral - mas em especial de gêneros alimentícios e medicamentos -, segurança, serviços essenciais de entrega em domicílio e autorização de circulação a partir de autodeclaração, em caso de extrema necessidade e com obrigatoriedade do uso de máscaras", disse a UFRJ na recomendação.

O documento foi elaborado a pedido do MP-RJ, que solicitou na última quarta-feira (6) informações sobre estudos para auxiliar os gestores públicos na tomada de decisões sobre medidas mais rígidas de isolamento social. Na resposta, a UFRJ afirmou que o aumento de casos de covid-19 vai provocar colapso do sistema de saúde em curto espaço de tempo, e que o mês de maio será o "mais crítico".

"O cenário agora é de ver um maior número de pessoas morrendo, é ver mais pessoas morrendo em casa, e o cenário é de médicos tendo escolher quem vai viver. Se tiver dois pacientes e um só equipamento, teremos a certeza de que infelizmente um daqueles pacientes não sobreviverá. Então apenas o lockdown pode ajudar", disse Roberto Medronho, epidemiologista da UFRJ, em entrevista ao canal CNN Brasil.

A pesquisadora em saúde Chrystina Barros, também da UFRJ, disse à GloboNews que a medida mais dura é necessária porque o estado não conseguiu inaugurar a tempo um número de leitos suficientes para atender o volume de pacientes graves com a covid-19.

"Precisamos coordenar a disponibilidade dos leitos para toda a população. Áreas do interior não têm tratamento intensivo. O Rio, como estado, precisa se ajudar, trocar dados, informações e compartilhar recursos para que todos os municípios consigam atender", disse Chrystina.

"Nos cabe sempre recomendar o trabalho feito pelo grupo técnico, a gente recomenda, mas precisa contar com a execução do estado. A partir que o estado coloca o lockdown, precisa que a segurança e todas as forças sejam efetivas. A parte técnica depende muito dos órgãos executivos, do controle de ir e vir. É uma questão muito mais de execução" completou a pesquisadora.

Ontem, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), enviou ofício ao Ministério Público fluminense determinando a elaboração de uma proposta de conteúdo para a decretação do lockdown com bloqueio de todas as estradas intermunicipais e restrição maior de circulação para combater a expansão do novo coronavírus.

Segundo um estudo feito pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), que reúne especialistas de diversas instituições, o Rio tem a maior taxa de mortalidade no país, superando São Paulo.

No ofício de hoje, a UFRJ elencou 11 ações que a universidade acredita serem necessárias para garantir que o lockdown seja eficiente e eficaz. Confira abaixo:

1. definir critérios explícitos, mensuráveis, e inteligíveis sobre a evolução da epidemia e as condições que garantam o término e consequente saída programada do isolamento;

2. ampliar a comunicação social, disponibilizando oportunamente à população informação atualizada e clara sobre a evolução da epidemia;

3. promover a colaboração mútua entre lideranças comunitárias e serviços públicos atuantes na distribuição de produtos de higiene e de alimentos e na disseminação das informações relacionadas à necessidade e importância do isolamento social;

4. centralizar na esfera estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) a cadeia de comando dos sistemas de saúde público e privado, promovendo uma gestão coordenada entre unidades hospitalares, de urgência, ambulatoriais e de atenção primária à saúde;

5. garantir a concretude dos planos de aparelhamento e abertura de leitos hospitalares (inclusive das ações de provisionamento de recursos humanos e insumos estratégicos) para suprir as demandas assistenciais da população afetada pela COVID-19 em todos os níveis de complexidade;

6. assegurar maiores repasses do governo federal para ampliação de recursos para áreas prioritárias e compensar queda de arrecadação de forma a manter o pleno funcionamento dos serviços públicos estaduais;

7. garantir as condições básicas de sobrevivência dos cidadãos, com medidas de transferência de renda para população e acesso às condições mínimas de segurança alimentar e aos serviços de saúde, de forma a permitir o respeito às medidas de isolamento social;

8. garantir a continuidade da provisão de serviços de utilidade pública - como água, esgoto, gás, energia elétrica -, que estão sujeitos à inadimplência por descontinuidade dos fluxos de renda;

9. garantir o auxílio a empresas na forma de crédito para capital de giro a baixo custo;

10. garantir a infraestrutura de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), a fim de manter os serviços de internet em funcionamento tanto para os gestores estaduais e municipais quanto para a população em geral;

11. garantir a troca de informações de casos entre estados e municípios do estado de Rio de Janeiro de forma a constituir uma base única de consulta e inserção da informação.

O que é lockdown?

Lockdown é uma medida mais rígida de isolamento social. No Brasil, o estado do Maranhão foi o primeiro a ter esse tipo de restrição determinada em algumas cidades. Pará e Ceará vieram na sequência. Nesse cenário, o cidadão é restrito de circular em áreas públicas sem motivos emergenciais, cruzar fronteiras, podendo haver em alguns casos a decretação de toque de recolher. A fiscalização é feita pelo governo.

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