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Remédio citado por Pontes ainda não tem eficácia provada, admite ministério

Ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) anunciou que os estudos ainda estão em análise - Pedro Ladeira/Folhapress
Ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) anunciou que os estudos ainda estão em análise Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

19/05/2020 13h32Atualizada em 19/05/2020 16h10

O Ministério da Ciência e Tecnologia ainda não conseguiu saber se a substância nitazoxanida, anunciada há um mês como remédio promissor para combater o novo coronavírus, apresentou eficácia no tratamento contra a covid-19. A pasta, que em abril disse que já pretendia ter resultados em maio, anunciou hoje uma nova bateria de testes com a substância, sem data para apresentar um balanço.

Em coletiva à imprensa, no Palácio do Planalto, o ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) anunciou que os estudos ainda estão em análise, e uma comissão externa do ministério deve divulgar o resultado. No entanto, ainda não há data para essa apresentação.

Em abril, Pontes anunciou um remédio desenvolvido por cientistas brasileiros cuja eficácia in vitro é de 94% — etapa preliminar e pouco confiável, anterior aos testes em animais. Na ocasião, disse que esperava em maio ter respostas à covid-19.

"Imaginando que tudo isso funcione, pois nós estamos entrando nos testes clínicos, vamos ter um medicamento, testes e a vacina, essa mais para frente. Esperamos no meio de maio ter uma ferramenta efetiva para combater essa pandemia no Brasil", disse Pontes, em 14 de abril.

Durante o evento de hoje, foi anunciada uma segunda fase de testes com 500 pacientes, mesmo número de pessoas analisadas na primeira fase.

Dois dias após o anúncio das pesquisas de Pontes, em abril, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma norma proibindo a venda de medicamento à base de nitazoxanida sem receita médica especial. A droga é comercializada em forma de vermífugo com o nome de Annita.

Testes

Os testes com a nitazoxanida são feitos em parcerias com 17 hospitais, espalhados por seis estados e o Distrito Federal. As análises da pasta começaram em fevereiro, após identificar, in vitro, que a substância tem 94% de eficácia.

"Quando a gente tiver um resultado, porque in vitro é uma coisa, quando a gente testa num organismo é outra, a gente precisa ter certeza que ele funciona. Então, uma vez que a gente tiver os resultados desses testes clínicos, a gente vai ter certeza se ele funciona ou se ele não funciona", disse Pontes.

Segundo o ministério, há uma comissão externa que vai analisar os estudos, que vai revelar o resultado das pesquisas.

"Nesse primeiro teste, os pacientes têm que ter um certo nível de sintomas. Nesse segundo protocolo a ideia é que não precise de nenhum sintoma, só o resultado positivo [de covid-19] já pode entrar no teste", disse Pontes sobre a nova leva de exames com 500 pacientes, anunciados hoje.

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