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Com 6 hospitais municipais lotados, SP avalia rodízio em feriado antecipado

Instalações dos novos leitos para paciente diagnosticados com o coronavírus no Hospital Municipal da Bela Vista, no centro de São Paulo, nesta segunda (18) - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Instalações dos novos leitos para paciente diagnosticados com o coronavírus no Hospital Municipal da Bela Vista, no centro de São Paulo, nesta segunda (18) Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

19/05/2020 04h00Atualizada em 19/05/2020 12h05

Seis hospitais municipais da cidade de São Paulo estão com os leitos de UTI completamente lotados, afirmou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido ontem. Não há mais vagas nas unidades de Cidade Tiradentes, Mooca, Jabaquara, Itaquera, Vila Mariana e Parelheiros.

Segundo boletim divulgado de ontem, 91% dos leitos de terapia intensiva dos hospitais administrados pela Prefeitura estão ocupados.

O secretário afirmou que a capital paulista recebeu nesta tarde 20 novos respiradores do Ministério da Saúde. Os equipamentos serão destinados aos hospitais de Pirituba, Itaquera e São Miguel Paulista —- este último, unidade de referência para o tratamento de covid-19 na zona leste da cidade.

A fim de tentar aumentar o índice de adesão ao isolamento social e frear o avanço da pandemia, o governo do estado e a prefeitura decidiram antecipar feriados para esta semana.

Nesta segunda-feira (18), a Câmara Municipal aprovou uma lei permitindo que a Prefeitura antecipe feriados enquanto durar a pandemia do novo coronavírus. O prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que pretende sancioná-la e publicar decreto com as novas datas de feriado até amanhã.

A prefeitura irá aguardar a publicação dos decretos regulamentando a antecipação dos feriados para decidir se manterá o rodízio de veículos, tradicionalmente suspenso nessas datas. Nesta segunda (18), voltaram a vigorar as regras normais de rodízio.

À beira do colapso

Aparecido informou que a gestão contratou mais 100 leitos de UTI da rede privada, somando 300 disponíveis nesse regime de contratação. Também disse que, até o fim da semana, a capital deve receber novos respiradores adquiridos pelo governo estadual.

O secretário estadual de saúde, José Henrique Germann, afirmou ao UOL, que 2 mil novos novos equipamentos devem chegar até o final do mês, com prioridade para a cidade de São Paulo.

Edson Aparecido alertou que o sistema de atendimento na capital paulista poderia entrar em colapso nos próximos 15 dias. Nesta segunda-feira (18), o coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, Dimas Covas, declarou que a "epidemia está evoluindo numa velocidade muito grande" e que a capital paulista já tem um cenário preparado para o fechamento total.

Lockdown

O plano mais imediato de Covas para adiar esse cenário é a antecipação do feriado de Corpus Christi (celebrado em junho) para quarta (20) e o dia da Consciência Negra (20 de novembro) para quinta-feira (21). A sexta-feira (22) será dia de ponto facultativo. Serão "cinco dias de estímulo ao isolamento social", disse Covas.

O governador João Doria (PSDB), deve fazer o mesmo e tenta antecipar o feriado estadual de 9 de julho, que lembra a Revolução Constitucionalista, para a próxima segunda-feira (25).

Segundo o prefeito, o governador e ele debateram a possibilidade de que paulistanos aproveitem o feriadão para deixar a cidade rumo ao interior e ao litoral, De acordo com o prefeito, caberá ao governador decidir pelo bloqueio das estradas.

Covas também falou que decretar lockdown na capital sem adotar a medida nas cidades vizinhas da Região Metropolitana seria ineficaz:

"Só de ruas que começam na cidade de São Paulo e terminam em outra cidade são 1.742. Além disso, a cidade não tem um policiamento que garanta a efetividade lockdown".

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