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Entidades médicas se posicionam contra protocolo sobre a cloroquina

20.mai.2020 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fala a apoiadores e à imprensa em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
20.mai.2020 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fala a apoiadores e à imprensa em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

20/05/2020 15h11Atualizada em 20/05/2020 15h14

Pesquisadores da Academia Nacional de Medicina, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP (Universidade de São Paulo) e de outras três entidades se posicionaram contra o protocolo do governo federal para o uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes de covid-19. Além de a eficácia do medicamento não ter sido comprovada, alertam os especialistas, ele também pode causar efeitos colaterais graves.

"Não há evidências científicas favoráveis que sustentem o uso de CQ/HCQ [cloroquina/hidroxicloroquina] em qualquer dose ou estágio da covid-19, quer no nível individual, quer no de políticas públicas. Por outro lado, há estudos que demonstram que o uso de CQ/HCQ [...] pode estar associado à maior frequência de eventos adversos graves e com maior letalidade", escrevem.

Os pesquisadores ainda orientam que o uso da hidroxicloroquina deve ser restrito a protocolos de pesquisa aprovados por comitês de ética e ter o consentimento formal do paciente ou de seu responsável legal. Como o tratamento não tem eficácia comprovada, o médico que o prescreveu pode responder legal ou eticamente caso os efeitos adversos se manifestem.

"Não se deve opor, em meio ao desespero da população, à prescrição de substâncias com efeito placebo. [...] Mas quando a substância que se pretende utilizar com essa finalidade está fortemente associada a eventos adversos graves e conhecidos, [...] cabe ao médico, amparado pela ciência, advertir e lutar para que não tenhamos mais mortes iatrogênicas desnecessárias. O vírus está autorizado a matar, por sua natureza não regida pela justiça dos homens, mas não o médico", concluem os especialistas.

Assinam a nota, em ordem alfabética:

  • Celso Ferreira Ramos (Academia Nacional de Medicina - ANM e Faculdade de Medicina da UFRJ);
  • Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro (ANM e Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz);
  • Daniel Goldberg Tabak (ANM);
  • Djane Clarys Baia-da-Silva (Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado e Universidade do Estado do Amazonas);
  • José Gomes Temporão (ANM e Centro de Estudos Estratégicos, da Fiocruz);
  • Marcus Vinícius Guimarães Lacerda (Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado e Universidade do Estado do Amazonas);
  • Margareth Pretti Dalcolmo (Centro de Referência Hélio Fraga, da ENSP, e Fiocruz);
  • Mauro Schechter (Faculdade de Medicina da UFRJ);
  • Natália Pasternak Taschner (Instituto Questão de Ciência e Instituto de Ciências Biomédicas, da USP);
  • Patrícia Brasil (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz).

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