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Dino diz que mudança com cloroquina não tem efeito prático: perda de tempo

O governador do Maranhão , Flávio Dino (PCdoB) - Kleyton Amorim/UOL
O governador do Maranhão , Flávio Dino (PCdoB) Imagem: Kleyton Amorim/UOL

Do UOL, em São Paulo

20/05/2020 12h35

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que a mudança de protocolo em relação à cloroquina, anunciada hoje pelo Ministério da Saúde, não tem efeitos práticos no combate ao novo coronavírus do Brasil.

Em entrevista à CNN Brasil, Dino disse que a discussão em torno do medicamento é "perda de tempo" e "falácia ideológica" do governo liderado por Jair Bolsonaro, já que na prática a cloroquina e a hidroxicloroquina já podem ser prescritas por médicos, de acordo com cada caso.

O protocolo divulgado hoje versa sobre a aplicação do medicamento em pacientes em todos os casos, inclusive os com sintomas leves. O protocolo, que sugere a combinação dos dois medicamentos com azitromicina, é uma orientação para a rede pública de saúde.

"Cloroquina e todos os medicamentos indicados estão disponíveis em quase todos os estados, de modo que na prática essa confusão que o Bolsonaro criou com a cloroquina não tem nenhuma incidência na realidade. É perda de tempo e de energia", disse.

"Os médicos que querem prescrever, vão prescrever. Os que não querem, não tem força humana que faça um médico fazer algo no qual ele tecnicamente não acredita. Por isso que lamento muito que se perca tempo com esses falsos debates por convicções puramente ideológicas, tentando desviar o foco do principal, que é a capacidade hospitalar e prevenção sanitária", completou.

Flávio Dino, que participou de uma reunião na manhã de hoje com outros 23 governadores para alinhar o discurso para o encontro de amanhã com Bolsonaro, ainda disse que o debate em cima do tema foi alimentado porque "(Bolsonaro) não quer enfrentar o coronavírus de verdade". Ontem, o presidente chegou a dizer que "quem é de direita toma cloroquina, e quem é de esquerda toma tubaína".

O governador disse que a cloroquina já está sendo usada, de acordo com a observação médica em cada caso, em todo o estado do Maranhão, não havendo impedimento para ser aplicada também em casos leves. Por isso, o protocolo de hoje, em sua avaliação, não vai levar mudanças ao combate do novo coronavírus.

"Não altera rigorosamente nada, porque a cloroquina e outros medicamentos já são usados há bastante tempo há critério médico. Neste momento que estamos conversando há milhares de pacientes no Maranhão recebendo cloroquina. Fica a critério médico", disse.

"Há uma tentativa de, por portarias, dar uma certeza científica que infelizmente não existe. Claro que quero um remédio ou uma vacina, mas basta raciocinar o óbvio: se a cloroquina fosse 100% eficaz, porque estaria morrendo gente nos EUA? Por que morreram na Itália, na Suécia, a França, em todos os países? Esta é a prova cabal que é uma falácia, uma enganação, dizer que existe 100% de eficácia. O foco está sendo desviado", completou.

O uso do medicamento é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e foi o principal ponto de divergência com o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que deixou o cargo na semana passada. O protocolo foi publicado no momento em que o ministério é comandado interinamente pelo general Eduardo Pazuello.

Pesquisas não comprovam a eficiência da cloroquina, sociedades médicas do Brasil recomendam não usar a droga e até a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) reforçou ontem que desaconselha seu uso.

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