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Coronavírus

Estado de SP prevê colapso no sistema de saúde em 3 semanas por covid-19

Governo de Doria recorrerá à rede privada para evitar o colapso no estado - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Governo de Doria recorrerá à rede privada para evitar o colapso no estado Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Carolina Marins*

Do UOL, em São Paulo

20/05/2020 08h37

O governo do estado de São Paulo prevê um colapso no sistema público de saúde dentro de três semanas, devido à taxa de ocupação dos leitos de UTI. Para evitar o cenário, foi lançado um edital de contratação de estabelecimentos privados interessados em fornecer leitos clínicos e de UTI em caráter emergencial para o estado.

Estudos feitos pelo Centro de Contingência da Covid-19 mostram um crescimento linear da taxa de ocupação dos leitos, o que pode levar ao colapso do sistema já na primeira quinzena de junho se não forem tomadas medidas como redução do tempo de internação ou realocação de pacientes.

"Os leitos de UTI disponíveis ainda não são suficientes para enfrentar a crescente ameaça de grave e irrecuperável lesão à saúde pública do Estado", diz publicação de hoje do Diário Oficial do Estado.

"Considerando que nesse panorama, para o êxito das ações de combate ao coronavírus em território paulista torna-se imprescindível a contratação de mais leitos, lançando mão dos que venham a ser disponibilizados pela rede privada".

O estado tinha 3.500 leitos de UTI no sistema de saúde até o surgimento do coronavírus. Com a pandemia, foram habilitados mais 1.624 novas vagas.

Há 10,8 mil pacientes internados em SP, sendo 4.169 em UTI e 6.645 em enfermaria. A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento a covid-19 é de 71,7% no estado de São Paulo e 87,9% na Grande São Paulo, segundo dados de hoje da Secretaria de Saúde. Na capital paulista esse índice já passou de 90%.

Na publicação do DO, o governo anuncia a contratação de 4,5 mil leitos de hospitais da rede privada que serão incorporados a rede pública para reforçar o enfrentamento ao novo coronavírus. Deste número, 1,5 mil vagas são de UTI.

O investimento é de R$ 594 milhões, sendo R$ 432 milhões em UTI e R$ 162 para os leitos clínicos. A expectativa é de que as vagas sejam implantadas em até três semanas.

"Com essa medida, São Paulo praticamente dobra o número de leitos disponíveis para o atendimento aos pacientes com coronavírus", afirmou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) durante coletiva de imprensa na tarde de hoje

A remuneração por vaga de UTI será de R$ 1,6 mil a diária. Os leitos públicos custarão R$ 1,5 mil ao governo de São Paulo.

Estado tenta evitar lockdown

As taxas de ocupação dos leitos de UTI tem servido de parâmetro para o governo analisar a possibilidade de decretar ou não bloqueio no estado. Na semana passada, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, apontou que a taxa de ocupação nos hospitais é o principal balizador para futuras decisões.

Segundo João Doria, São Paulo já tem um protocolo para o bloqueio completo, mas ainda não será implementado.

"Prefiro acreditar que vamos melhorar os índices e conseguiremos dominar o crescimento do vírus em uma fase tão dura como essa. Temos protocolos mais rígidos sim, e o mais rígido que o atual é o lockdown. Mas, antes de anunciar, vamos ter esperança e confiança de que as pessoas vão respeitar a orientação de não viajar, de ficar em casa e entender a importância de proteger suas vidas e de seus familiares", disse o governador.

Para o médico infectologista do Hospital das Clínicas da USP, Evaldo Stanislau, o aumento na oferta de leitos é importante para se ganhar tempo antes de decretar o lockdown. Segundo ele, o governo tenta fazer com que o distanciamento social volte a dar algum resultado antes de recorrer ao bloqueio completo. "Se isso vai ser conseguido ou não, é uma incógnita, mas é mais uma tentativa do governo para evitar uma medida mais drástica".

A resistência do governo estadual em decretar o lockdown - e por isso a busca constante de expandir a oferta de leitos - é garantir que a medida vai funcionar quando for implantada. "Se você vai entrar no lockdown, ele precisa funcionar, porque se não, você vai ter todo o desgaste de mandar as pessoas ficarem em casa, de estabelecer todo um programa de fiscalização de pessoas, e se não tiver o benefício, que é a redução da progressão da doença e e tirar a saúde da situação crítica de saturação, você só fica com o problema do lockdown".

Mas, para ele, esse aumento na oferta de leitos servirá apenas para retardar a medida e não impedi-la, como quer o governo, já que nos atuais índices de crescimento da doença e da ocupação dos leitos, o bloqueio se torna inevitável.

Atualmente São Paulo tem 69.859 casos confirmados de covid-19, com 5.363 mortes.

*Com Colaboração de Felipe Pereira

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