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Coronavírus

Brasil ultrapassa Reino Unido e é segundo país com mais mortes por covid-19

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

12/06/2020 18h40Atualizada em 12/06/2020 20h14

O Brasil passou o Reino Unido e se tornou hoje (12) o segundo país do mundo com mais mortes por covid-19. São 41.828 de acordo com o Ministério da Saúde, mas o levantamento de um consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte revela que os estados apontam 73 óbitos a mais, portanto 41.901 no total.

Ambos os números são superiores em relação ao Reino Unido, que segundo a universidade norte-americana Johns Hopkins acumula 41.566 mortes. Só os Estados Unidos perderam mais vidas para a covid-19, mais de 114 mil.

Somados, os boletins estaduais apontam 829.902 casos oficiais de covid-19 no Brasil. Nas últimas 24 horas, os novos registros foram de 24.255 diagnósticos e 843 vítimas fatais. O governo federal contabiliza 828.810 casos no total, 1.092 a menos do que revela o consórcio.

Os veículos de comunicação compilaram os dados com base nos boletins mais recentes de cada unidade da Federação. Dois equívocos dos estados, ontem (11), foram corrigidos: o Rio Grande do Norte havia divulgado balanço com erro de digitação e nove casos a mais; já o Sergipe havia divulgado dois casos a mais devido a duplicações.

Segundo o Ministério da Saúde, o país tem atualmente 421.919 casos da doença em acompanhamento e registrou 365.063 pacientes curados.

Temor por colapso fez Reino Unido mudar estratégia

O enfrentamento à covid-19 no Reino Unido mudou de cara durante a pandemia. De início o primeiro-ministro Boris Johnson se esquivou da doença e, apesar de não chegar a subestimá-la como fizeram os presidentes Jair Bolsonaro ou Donald Trump, retardou ao máximo a imposição de medidas restritivas. O isolamento social foi implantado depois, quando o sistema público já dava sinais de colapso.

A princípio o Reino Unido tratava a covid-19 com certo distanciamento, demorando a agir. Em 7 de março, por exemplo, Boris Johnson foi a um jogo de rúgbi. Onze dias depois, quando o país já contabilizava 55 mortes pela doença, um torneio de corridas de cavalos reuniu 250 mil pessoas ao longo de quatro dias na cidade de Cheltenham. Cientistas dizem que os eventos custaram vidas.

A mudança de postura se deu em 23 de março, em um pronunciamento oficial. Na semana em que Bolsonaro tratava a covid-19 como "gripezinha", Boris Johnson anunciou um lockdown que ao todo duraria dez semanas. "Se muita gente ficar doente ao mesmo tempo, nosso sistema não aguentará", disse na ocasião. Ele próprio acabaria internado na UTI, tendo que lutar pela vida contra a covid-19.

Ainda hoje, mesmo após uma flexibilização da quarentena, o Reino Unido ainda se considera no nível quatro no sistema de alertas, ou seja, o vírus circula livremente, e a transmissão é alta. O país agora trabalha em um sistema de rastreamento de pessoas contaminadas pelo coronavírus, em uma tentativa de diminuir a taxa de transmissão.

Nordeste registra mais mortes em 24 horas

A exemplo dos dias anteriores, São Paulo mais uma vez foi a unidade da federação que mais registrou casos e mortes por covid-19 em 24 horas: foram 5.380 e 223, respectivamente. Segundo dados do consórcio de imprensa, em três dias os casos no estado cresceram 12%.

Além de São Paulo, as maiores altas no número de casos foram registradas pelos estados do Rio de Janeiro (2.009), do Maranhão (1.925) e de Minas Gerais (1.658). Já quanto ao número de mortes registradas nas últimas 24 horas, destaca-se também o Ceará (104).

No comparativo entre regiões, nesta semana o protagonismo passou a ser do Nordeste. A região é a que mais registra casos por covid-19 (293.416), cerca de 2.000 a mais do que o Sudeste (291.292), e também a que mais contabilizou mortes nas últimas 24 horas (343).

Veículos se unem em prol da informação

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro (sem partido) de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19, os veículos de comunicação UOL, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa a partir desta semana e buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de Saúde das 27 unidades da federação.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

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