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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta terça-feira (16)

Corticoide tem resultado animador em Oxford - iStock
Corticoide tem resultado animador em Oxford Imagem: iStock

Do UOL, em São Paulo

16/06/2020 13h55Atualizada em 16/06/2020 18h37

O Brasil bateu hoje o recorde de número de casos confirmados pelo Ministério da Saúde em um intervalo de 24 horas. Foram 34.918 novos diagnósticos de infecção pelo novo coronavírus de acordo com boletim diário divulgado pelo governo federal.

A marca anterior havia sido registrada no dia 30 de maio, quando a pasta contabilizou 33.274 casos. Agora, o país tem um total de 923.189 registros de casos positivos para a covid-19.

O governo anunciou hoje também que foram registradas 1.282 novas mortes, elevando o total acumulado desde o começo da pandemia a 45.241 óbitos. O Brasil tem 441 mil pacientes recuperados e acompanha outros 436 mil.

Pesquisadores britânicos encontram droga que reduz mortes

Em meio a uma corrida global em busca de medicamentos que aliviem e curem a covid-19 e vacinas que previnam a doença causada pelo novo coronavírus, pesquisadores britânicos afirmaram hoje que encontraram a primeira droga que reduz a incidência de mortes.

De acordo com cientistas da Universidade de Oxford, em resultados apresentados hoje, houve redução de um terço das mortes em pacientes que precisavam de tratamento com oxigênio e receberam o corticoide dexametasona.

Segundo eles, um estudo que será publicado nos próximos dias mostra os resultados para 2.104 pacientes selecionados aleatoriamente, que foram medicados com a dexametasona, por via oral ou intravenosa. Eles foram comparados a 4.321 pacientes tratados convencionalmente.

Os números mostram que a redução de mortes foi de 35% para pacientes que precisavam de tratamento com respiradores e 20% para os que precisavam de suporte de oxigênio. Não houve registro de que a droga seja eficiente em casos menos severos.

"Este é um resultado extremamente bem-vindo", disse Peter Horby, da Universidade de Oxford, em comunicado reproduzido pela agência AP.

O benefício da sobrevivência é claro e amplo nestes pacientes que estavam doentes o suficiente para precisarem de tratamento com oxigênio. Então, a dexametasona pode agora se tornar padrão no cuidado destes pacientes."

A droga é barata, fácil de produzir, é ministrada em pequena dose e a confiança no estudo fez o Reino Unido já anunciar hoje a adoção da dexametasona em seu protocolo para o tratamento da covid-19.

O que é dexametasona?

Trata-se de um glicocorticoide sintético que faz parte da classe dos corticosteroides. Conhecido também como corticoide ou esteroide, esse tipo de fármaco tem alto poder anti-inflamatório e imunossupressor, e é uma versão sintética dos hormônios produzidos pelas glândulas suprarrenais (adrenais), localizadas na parte superior dos seus rins.

Geralmente, a medicação é utilizada quando se deseja obter efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores (redução da atividade de defesa orgânica), em tratamentos intensivos e de curto prazo, nas seguintes situações: doenças reumatológicas, distúrbios da pele, problemas oculares, glandulares, pulmonares, gastrointestinais, neurológicos e sanguíneos, alergias, transplantes e tumores.

Números: Brasil passa de 900 mil casos

O Brasil atingiu hoje a marca de 904.734 pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Ao todo, 44.657 pessoas morreram em decorrência da covid-19 desde o início da pandemia. Os dados foram consolidados às 13h de hoje. Eles são resultado da apuração em conjunto feita por veículos de mídia, um consórcio* do qual o UOL faz parte, e têm como base informações das secretarias estaduais de Saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, às 18h de ontem, foram registradas 627 novas mortes e 20.647 casos nas últimas 24 horas, o que eleva para 43.959 mortes e 888.271 diagnósticos os números totais desde o início da pandemia.

A partir da atualização dos estados, é possível confirmar a tendência de concentração de mortes por covid-19 na região Nordeste do Brasil. Nas últimas 24 horas, foram 367 óbitos registrados em estados nordestinos, o equivalente a 50,3% do total de novas mortes — mais da metade, portanto.

Mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo já foram infectadas, segundo balanço da Universidade Johns Hopkins. Ao todo, foram confirmados 8.003.021 casos, com 435.619 mortes.

Os Estados Unidos respondem por mais de um quarto do total de diagnósticos registrados no mundo, com 2,1 milhões de casos. O país ainda tem mais de 116 mil mortes, sendo o mais afetado pela pandemia em números absolutos.

Cloroquina: Brasil indica a crianças e gestantes

O Ministério da Saúde estendeu ontem a recomendação de uso da cloroquina para gestantes e crianças. A nova orientação do governo brasileiro sobre o medicamento ocorreu na mesma data em que os Estados Unidos retiraram a autorização de emergência de tratamento com a cloroquina e a hidroxicloroquina contra a covid-19.

A orientação do Ministério da Saúde para estes grupos, desde ontem, é para prescrição desses medicamentos, associados ao antibiótico azitromicina, mesmo para casos leves. Não há evidência científica sobre eficácia da cloroquina contra a covid-19. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é defensor deste tratamento e dois ministros da Saúde já deixaram o governo por, entre outros motivos, se opor ao uso amplo da droga.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que o país enviará mais doses de hidroxicloroquina ao Brasil, mesmo após a decisão do FDA.

Cloroquina: Casa Civil se recusa a fornecer dados

A Casa Civil da Presidência, comandada pelo general da reserva Walter Braga Netto, se recusou a fornecer à coluna de Rubens Valente no UOL os estudos e relatórios sobre hidroxicloroquina e cloroquina produzidos pelo CCOP (Centro de Coordenação das Operações do Comitê de Crise da Covid-19).

Segundo o órgão, são documentos "preparatórios" e por isso não podem ser de conhecimento público. O CCOP foi criado em 25 de março pelo presidente Jair Bolsonaro para ofuscar o protagonismo do então ministro da Saúde, Luiz Mandetta, durante a crise da pandemia.

De acordo com texto divulgado pelo governo na época, o CCOP funciona na Sala de Reuniões Suprema do Palácio do Planalto e é subordinado ao Comitê de Crise da Covid-19, coordenado pela Casa Civil, "que articula e monitora as ações interministeriais de enfrentamento à pandemia".

SP tem recorde de mortes

O estado de São Paulo teve 365 mortes confirmadas pela doença nas últimas 24 horas — número mais alto desde o início da pandemia. O recorde anterior era de 340 vítimas do novo coronavírus, registrado no dia 10 de junho.

No total, São Paulo contabiliza 11.132 mortes e 190.285 de casos de pessoas infectadas pela covid-19.

O governo de São Paulo anunciou hoje o cancelamento do contrato com a Hichens Harrison & Co. De acordo o secretário de saúde José Henrique Germann, a empresa entregou apenas 30% dos respiradores comprados para o estado - o que fez ser aberta investigação contra o governador João Doria.

Crivella cogita antecipar fase 3

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), deu detalhes da fase 2 da reabertura comercial da capital fluminense e explicou que quer usar o Mercadão de Madureira, que retomou atividade hoje, como exemplo para que outros centros comerciais possam voltar, após a paralisação por conta do coronavírus. O governante também disse que cogita antecipar a fase 3, prevista para 1 de julho e afirmou que espera que, após uma reunião amanhã, o futebol retorne na quinta-feira (22), com um jogo no Macaranã.

Ontem teve uma reunião grande no mercado de Madureira, marcando chão, portas fechadas, só uma que abre, câmeras para fiscalizar, avisos nos corredores... A ideia é que o Mercadão de Madureira seja um exemplo para todos os centros comerciais. E controle não só de capacidade, mas de temperatura".

Por outro lado, ele salientou que comércio de rua ainda não deve funcionar. Ele citou Curitiba e Porto Alegre como cidades que reabriram rapidamente e tiveram "de dar marcha à ré". Segundo o prefeito, caso a cidade siga evoluindo nos dados relacionados à covid-19, a fase 3 pode ser aplicada em dez dias.

Nova Zelândia volta a detectar casos

A Nova Zelândia, que empolgou o mundo ao se dizer livre da covid-19, registrou hoje dois novos casos de coronavírus, depois de 25 dias sem notificação de qualquer contágio. As duas pessoas chegaram ao país recentemente do Reino Unido, informou o ministério da Saúde, que indicou que os casos "estão vinculados".

De acordo com o jornal Daily Mail, as duas mulheres contaminadas foram à Nova Zelândia para participar dos rituais de luto de um parente morto. Elas desembarcaram em 7 de junho e tiveram permissão especial para deixar a quarentena para estrangeiros por conta da situação.

Na semana passada, as autoridades anunciaram que o país não tinha mais casos ativos e suspenderam todas as restrições nacionais, como as medidas de distância de segurança e os limites às concentrações em vias públicas.

Pequim liga alerta

As autoridades de Pequim diagnosticaram 27 novos casos de infecção por coronavírus nas últimas 24 horas, elevando para 106 o número de pessoas com a covid-19 em cinco dias. A situação da epidemia em Pequim é "extremamente grave", disse o porta-voz do prefeito nesta terça-feira (16), depois que centenas de pessoas foram infectadas desde a semana passada, na capital chinesa.

Pequim está "correndo contra o relógio" diante do novo coronavírus, disse o porta-voz do prefeito, Xu Hejian, à imprensa. A cidade de 21 milhões de habitantes intensificou os esforços contra a Covid-19 e atualmente tem capacidade para realizar mais de 90.000 testes de diagnóstico por dia.

Esse surto epidêmico despertou o medo de uma "segunda onda" da pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na segunda-feira (15) que estava acompanhando a situação em Pequim "de muito perto" e mencionou o possível envio de mais especialistas nos próximos dias.

Máscaras e desinformação

Em apenas dois meses, posts compartilhados nas redes sociais transformaram as máscaras em "vilãs" da pandemia da covid-19. A partir de abril — quando vários países, incluindo o Brasil, passaram a recomendar que todas as pessoas colocassem máscaras ao sair às ruas, para evitar contaminação pelo novo coronavírus —, multiplicaram-se as publicações com acusações falsas sobre ela.

Segundo a agência Lupa, desde o início da pandemia até 15 de junho, plataformas de checagem de 47 países publicaram 254 verificações que citavam de alguma maneira esse equipamento de proteção. A concentração dessas checagens foi maior nos Estados Unidos (37), Espanha (26), Brasil (19), Índia (19), França (16), Taiwan (15), Alemanha (11) e Itália (11).

A maior parte dos posts negativos acusa as máscaras de causar dois tipos de problemas respiratórios. O primeiro deles, a hipóxia, consiste em um quadro clínico de baixa concentração de oxigênio no sangue, que impede o funcionamento adequado do corpo.

Especialistas de diferentes partes do mundo desmentiram essas alegações. Todas as máscaras são porosas — ou seja, nenhuma delas funciona como uma barreira de vedação aos gases, mas bloqueia as partículas levadas por eles. Logo, o CO2 expirado retorna para o meio ambiente.

*Veículos de mídia se unem

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro (sem partido) de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19, os veículos de comunicação UOL, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa e buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de Saúde das 27 unidades da Federação.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

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