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Regiões de Franca e Rio Preto têm o maior crescimento de covid-19 em SP

Ao menos 27 homens em situação de rua que são acolhidos por um abrigo institucional, em São José do Rio Preto (SP) testaram positivo para covid-19. Frequentadores do abrigo recebem orientações após exames - Divulgação
Ao menos 27 homens em situação de rua que são acolhidos por um abrigo institucional, em São José do Rio Preto (SP) testaram positivo para covid-19. Frequentadores do abrigo recebem orientações após exames Imagem: Divulgação

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

17/07/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Regiões de Rio Preto e Franca têm as maiores altas nos casos de covid-19
  • Dado demonstra que a doença acelerou no interior de São Paulo
  • Ambas as regiões, somadas, têm 22 cidades cujo primeiro caso ocorreu após a reabertura do Estado, em 27 de maio

As regiões de Franca e São José do Rio Preto foram as que tiveram o maior crescimento de casos de óbitos por causa do novo coronavírus no Estado de São Paulo, com alta de 57,7% e 53,8%, respectivamente, no período de 8 a 14 de julho.

Os dados são do painel da Fundação Seade e a análise de novos casos e óbitos é feita de forma regionalizada. O estado é dividido em 22 DRS (Departamentos Regionais de Saúde), 16 no interior e litoral, cinco na Grande São Paulo e a capital.

O crescimento semanal nas regiões de Franca e Rio Preto foi mais de 10 vezes a média do estado, que, no mesmo período, se manteve em 5%.

A região de Franca, no nordeste paulista, está na zona vermelha do Plano de São Paulo desde 26 de junho, após ter iniciado diretamente na fase laranja. Isso indica que só os serviços essenciais podem funcionar.

Hoje, numa tentativa de controlar a disseminação da doença, a prefeitura de Rio Preto anunciou o fechamento de supermercados e hipermercados por dois finais de semana.

Apesar disso, a região de São José do Rio Preto, no norte do estado, está na zona laranja (a segunda fase do plano São Paulo) desde o início do programa, em 27 de maio, o que permite a abertura limitada de shopping centers e estabelecimentos comerciais não essenciais.

Apesar de ambas as regiões terem apresentado um grande crescimento de casos no período mencionado, elas estão em posições diferentes no Plano São Paulo em virtude da taxa de ocupação de UTI.

Enquanto em Franca, a taxa era de 85% em 10 de julho, em Rio Preto, ela se mantinha em 65%, em 10 de julho, dia em que foi anunciada a última classificação do plano.

Nesta sexta-feira (17) será anunciada a 7ª atualização do plano.

10-07-2020 - 6ª atualização do Plano São Paulo - Divulgação - Divulgação
Região de Franca está atualmente na fase vermelha do Plano São Paulo, já Rio Preto está na laranja
Imagem: Divulgação

Interiorização da covid-19 em São Paulo

Os dados da covid-19 no Estado mostram como a doença foi se interiorizando desde o início da reabertura. No dia 27 de maio, a cidade de São Paulo tinha 49.264 dos 89.483 casos da doença no Estado, o que representava 55% do total.

Hoje, a capital tem 40,4% dos 402.048 casos do Estado, enquanto as cidades do interior e do litoral vêm se aproximando cada vez mais e somam 39,5% dos registros (158.946. As cidades da Grande São Paulo, por sua vez, respondem por 20,1% do total (80.794).

Em 27 de maio, quando foi anunciado o Plano São Paulo, de reabertura econômica, 515 dos 645 municípios de SP (79,8% do total) registravam casos de covid-19.

Há uma semana, no dia 10, o Estado tinha 13 cidades sem casos de covid-19. Segundo o boletim divulgado nesta quinta-feira (16), agora apenas nove municípios do Estado não tem nenhum caso da doença.

As regiões de Franca e São José do Rio Preto são monitoradas de perto por cientistas da plataforma Covid-19 Brasil, que reúne cientistas de várias partes do país, entre eles da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, que monitoram os dados da doença causada pelo novo coronavírus em todo o norte do Estado de São Paulo.

Segundo dados compilados pela plataforma, das 102 cidades da DRS de São José do Rio Preto, 18 (17%) registraram o primeiro caso de covid-19 nos últimos 35 dias.

Das 22 cidades que compõem a DRS de Franca, quatro (18%) registraram casos da doença nas últimas cinco semanas.

"Os dados mostram que, desde a reabertura, os casos deram uma acelerada muito forte no interior do Estado", afirma o professor de medicina social Domingos Alves, da USP Ribeirão Preto e um dos líderes da iniciativa Covid-19 Brasil.

Segundo outra pesquisa, da Unesp, a doença se disseminou pelo interior através das rotas rodoviárias. Isso é nítido ao se analisar os mapas de disseminação da doença.

O crescimento da doença no interior é reconhecido pelo governo do Estado. Segundo balanço apresentado em 7 de julho, pelo secretário de desenvolvimento regional, Marco Vinholi, o interior já responde por 70,87% dos novos casos de covid-19 no Estado.

"Houve uma queda aguda na capital e queda um pouco mais leve na Grande São Paulo, e uma aceleração no interior do estado", afirmou o secretário.

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