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Coronavírus

Governo de SP chama versão do ministério sobre vacina de 'descabida'

Posição do governo paulista veio do Instituto Butantan e da Secretária da Saúde, que tem o infectologista Jean Gorinchteyn (foto) à frente da pasta - MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Posição do governo paulista veio do Instituto Butantan e da Secretária da Saúde, que tem o infectologista Jean Gorinchteyn (foto) à frente da pasta Imagem: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

21/10/2020 18h50

O governo de São Paulo respondeu hoje sobe as alegações do Ministério da Saúde de que "houve uma interpretação equivocada" da fala do ministro Eduardo Pazuello sobre a aquisição de 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Em nota assinada pela Secretaria da Saúde e pelo Butantan, que é ligado à administração paulista, o governo estadual chamou a explicação de "descabida". O argumento foi dado na manhã de hoje por Élcio Franco, secretário-executivo do Ministério da Saúde, ainda antes de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que mandou cancelar a compra.

"Segundo o ministério, 'houve uma interpretação equivocada da fala de Pazuello'. Ontem, porém, durante a reunião com os governadores e em vídeo divulgado pelo ministério, o próprio ministro admitiu que 'essa carta [protocolo], ela é o compromisso da aquisição dessas vacinas'", diz a nota do governo paulista.

A afirmação cita uma videoconferência realizada ontem por Pazuello com governadores, inclusive com a participação do governador de São Paulo João Doria (PSDB). Nela, o ministro confirmou a existência de uma carta de compromisso para a aquisição das primeiras doses da CoronaVac, que estão previstas para estarem à disposição em dezembro, ainda que necessitem da aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Hoje pela manhã, Franco afirmou que "não houve qualquer compromisso com o governo de São Paulo ou seu governador no sentido de aquisição de vacinas contra a covid-19". Além disso, reforçou que "não há intenção de compra de vacinas chinesas".

Ficou a cargo do secretário-executivo o pronunciamento porque Pazuello confirmou hoje que foi contaminado pelo novo coronavírus.

"Na contramão"

O recuo do governo federal sobre a distribuição da CoronaVac pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) também rendeu críticas da administração paulista, se somando às várias declarações já dadas hoje por Doria no mesmo sentido.

"A postura de uma parte da União vai na contramão de todos os avanços conquistados até aqui nas negociações por representantes por ele escolhidos para o Ministério da Saúde com autoridades dos governos estaduais de São Paulo e do Brasil", definiu o governo paulista sobre a polêmica decisão.

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