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Coronavírus

"Classes A e B perderam o medo da covid-19", diz secretário da Saúde de SP

29.abr.2020 - Enfermeira faz atendimento a paciente de covid-19 na UTI do Hopistal Albert Einstein em São Paulo - Avener Prado/UOL
29.abr.2020 - Enfermeira faz atendimento a paciente de covid-19 na UTI do Hopistal Albert Einstein em São Paulo Imagem: Avener Prado/UOL

Carolina Marins, Cleber Souza e Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo e Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/11/2020 04h00

As viagens e saídas do feriado de 2 de novembro e o clima de "já passou a pandemia" podem ajudar a explicar o aumento no número de contaminações e de internações por causa da covid-19 nos hospitais particulares da cidade de São Paulo, segundo profissionais da área da saúde ouvidos pelo UOL. O secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, diz que a maior parte dos infectados é de adultos das classes A e B, que voltaram para as ruas depois da flexibilização da quarentena.

Na quinta-feira (12), o governo paulista havia negado o crescimento nas internações. Mas, ao UOL, o secretário admitiu ontem que houve aumento nos atendimentos na rede particular. "Há um aumento do número de casos de internações em alguns hospitais, como o Sírio Libanês. Mas pelo menos 45% dos pacientes vêm de fora do estado de São Paulo, pois os hospitais aqui são centro de referência", afirma.

Ele enfatiza que não se trata de uma segunda onda de covid-19, pois sequer saímos da primeira.

As classes A e B perderam o medo da covid-19, se sentem mais à vontade para ir em restaurante, ficar sem máscara e se aproximam, se visitam. O resultado são contaminações. Nós estamos vendo festinhas acontecendo dentro das casas."
Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde do Estado de São Paulo.

De acordo com o secretário, também houve aumento de 27,5% nos registros de casos de síndromes gripais no estado —que não necessariamente são covid-19. "Coincide com a saída do último feriado. Pode impactar as internações? Pode, mas estamos atentos, monitorando."

Rede particular em alerta

Uma reportagem da Folha de S. Paulo nesta semana revelou um salto nas internações por covid-19 nos hospitais particulares da cidade de São Paulo. O infectologista David Uip, que já foi coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, confirmou o aumento no número de casos no hospital Sírio Libanês e ressaltou que os jovens são os principais vetores das contaminações.

Não vejo como uma segunda onda, vejo a sequência da primeira. As pessoas estavam isoladas, voltaram a circular e muitos jovens estão indo para festas. Ao voltarem, acabam contaminando pais e avós."
Infectologista David Uip

O Hospital Israelita Albert Einstein informou ontem que os números de internações dos últimos dias superam a média das últimas semanas. "Hoje, são 68 leitos ocupados por pacientes com diagnóstico confirmado para a doença. Da última semana de setembro ao dia 12 de novembro, a média de internações oscilou entre 50 e 55 pacientes infectados", afirma a nota.

O Hospital Oswaldo Cruz afirma que houve um "leve crescimento" nas internações pelo novo coronavírus na unidade em relação ao mês de novembro, mas que ontem houve uma "queda considerável". A instituição diz que todas as áreas exclusivas para atendimento de pacientes com covid-19 montadas no início da pandemia continuam à disposição.

Já o Hospital São Camilo relatou uma "leve oscilação" neste mês "dentro do esperado" no número de internações por causa do novo coronavírus. "No início da pandemia, a rede organizou plano de contingência e disponibilizou um espaço somente pacientes com covid-19 no anexo da Unidade Pompeia. 92 leitos foram disponibilizados para tratamento da doença, que continuam em funcionamento", diz, em nota.

Natanael Adiwardana, infectologista do Hospital Emílio Ribas, também afirma que houve um aumento nas hospitalizações e destaca que o perfil tem sido de adultos com mais de 40 anos e idosos. "Mas não deixamos de ver muitos jovens serem internados, mesmo que tenham desfecho mais curto e com recuperação melhor", comenta. "A sensação é de que os casos realmente permanecem e aumentam, nós continuamos atendendo covid-19. Sem falar nas sequelas, que são ainda desconhecidas."

Rede pública ainda não vê reflexos

Apesar dos dados do Emílio Ribas, nos números gerais da rede pública de São Paulo ainda não é possível ver o aumento das internações. A Secretaria Municipal de Saúde informa que a taxa atual de ocupação dos leitos de UTI na cidade de São Paulo é de 34% e segue em tendência de queda. Muito longe dos 92%, quando atingiu o pico, em maio.

Veja a taxa de ocupação dos leitos de UTI em média por mês:

  • Abril: 56%
  • Maio: 92%
  • Junho: 59%
  • Julho: 54%
  • Agosto: 43%
  • Setembro: 42%
  • Outubro: 35%

A rede particular da cidade também foi a primeira a sentir os impactos do coronavírus em março —quando o país viu seus números de internações aumentarem—, e registrou as primeiras mortes pela doença. Logo, o problema migrou para a rede pública e, só não entrou em colapso em São Paulo devido ao aumento na oferta dos leitos.

Antes da pandemia, a cidade contava com 507 leitos de UTI. Esse número foi expandido para 1.340 com aumento da oferta em hospitais públicos e a contratação de leitos da rede privada. Já no estado de São Paulo, a taxa de ocupação dos leitos é de aproximadamente 41%, segundo o governo.

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