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Covid: em meio a aumento de internações, cidades do ABC pedem mais leitos

Leitos de UTI no Hospital Mário Covas em Santo André - Divulgação/Governo de São Paulo
Leitos de UTI no Hospital Mário Covas em Santo André Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo

Carolina Marins e Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

28/11/2020 04h00

Em meio a um aumento no número de hospitalizações por covid-19 na região do ABC paulista, o Consórcio Intermunicipal Grande ABC enviou um ofício ao governo de São Paulo pedindo a retomada das internações de pacientes da doença em dois hospitais estaduais na região e a ampliação do número de leitos.

O ofício foi enviado em caráter de urgência para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e ao secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn. O consórcio contempla as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

O documento pede "que o Hospital Estadual Mário Covas (Santo André) e o Hospital Estadual Serraria (Diadema) retomem imediatamente as internações de pacientes com covid-19 e ampliem o número de leitos para atendimento dos pacientes da região".

Um levantamento feito pelo consórcio mostrou um aumento de 21 pontos percentuais nas taxas de ocupação dos leitos de UTI para covid-19 das cidades em apenas três semanas. Entre 5 e 26 de novembro, a região saltou de 44% para 65% na taxa de ocupação.

"O aumento das internações é reflexo do aumento de casos no último período", afirma o consórcio. "Segundo informações disponibilizadas no portal de acompanhamento da pandemia da Fundação Seade, a região registrou aumento de 32,1% nos casos nos últimos 30 dias, sendo que as mortes foram reduzidas em 17,1% no mesmo período em comparação com os 30 dias anteriores."

Além dos aumentos nas internações dos hospitais municipais das cidades, o consórcio também apontou como justificativa para o pedido: a chegada de muitos pacientes graves; o tempo médio de permanência desses pacientes nos leitos de UTI; a possibilidade de não haver leitos disponíveis para atendimento dos pacientes residentes nas cidades do Grande ABC nos próximos dias e a impossibilidade de reabertura de hospitais de campanha no curto prazo.

Em nota, a Secretária Estadual da Saúde informou que "mantém 62 leitos exclusivos para a doença no Hospital Mário Covas e o Hospital de Diadema. Em ambas as unidades há leitos disponíveis para atendimento aos casos graves do coronavírus".

O comunicado também diz que "vai repassar ainda neste ano mais R$ 8 milhões para o município de São Bernardo do Campo, prorrogando o convênio vigente com o município para assistência a casos de covid-19 na região do ABC no Hospital de Urgência de São Bernardo".

Volta de restrições em São Bernardo do Campo

O consórcio recomendou às sete cidades da região que voltem a intensificar as ações de enfrentamento à doença. Está prevista uma reunião da próxima segunda-feira (30) entre os prefeitos para discutir a situação.

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), falou à Rádio Bandeirantes sobre um novo decreto que vai aumentar as restrições na cidade. Bares, restaurantes e academias terão horário e capacidade de funcionamento reduzidos a partir de segunda. Cinemas e teatros voltarão a fechar.

ABC, Baixada Santista e Sorocaba em alerta

Para além do ABC, as autoridades estaduais que estão liderando o enfrentamento da pandemia têm encontros importantes nos próximos dias. O primeiro será realizado neste fim de semana e decidirá a reclassificação das regiões no Plano São Paulo, de retomada econômica. O anúncio da atualização do plano deve ser feito na segunda-feira (30), dia seguinte às eleições municipais.

Hoje, 76% da população está na fase verde, a segunda menos restritiva. Se os indicadores de saúde piorarem, pode haver regressão.

Durante a semana, integrantes do Centro de Contingência ao Coronavírus sugeriram o aumento imediato de restrições ao governador. Doria preferiu esperar o fechamento da semana imunológica, o que ocorre hoje. A justificativa é que, desta maneira, haveria uma base de dados mais completa.

O UOL apurou que o Centro de Contingência percebeu os primeiros sinais de aumento de casos e internações há quatro semanas. Eles dizem que o problema no banco de dados do Ministério da Saúde, no início de novembro, dificultou a análise, mas na semana passada ficou claro que havia uma tendência de alta.

Os integrantes do Centro de Contingência não consideram que há riscos ao sistema de saúde porque a capacidade ociosa de atendimento é grande. Mas, na terça-feira (24), aprovaram o pedido de aumento de restrições para evitar a disseminação do coronavírus nas festas de empresas e nos encontros familiares que costumam ocorrer em dezembro.

Por este motivo, uma das medidas sugeridas é diminuir o horário de funcionamento de bares e restaurantes, que hoje abrem até as 22 horas.

O governo do estado quer preservar o setor de educação e mirar no lazer noturno.

Na segunda, representantes do governo estadual e do ABC paulista, Baixada Santista e Sorocaba vão se reunir. As duas primeiras são as regiões do estado que mais preocupam. Sorocaba tem um aumento de casos e internações menor, mas também está sob monitoramento.

A alta nas internações nas cidades do ABC compromete um dos itens monitorados pelo Plano São Paulo —que é o número de pacientes com covid-19 para grupos de 100 mil habitantes. Por isso, a Região Metropolitana de São Paulo pode sofrer rebaixamento.

As cidades da Baixada Santista também podem voltar a fase amarela —o que diminuiria o horário de funcionamento e capacidade de bares, restaurantes, comércios de rua, shoppinqs, salões de beleza e academias.

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