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Coronavírus

Rio: Comitê sugere fechamento de escolas e proibir banhistas nas praias

Comitê Científico da Prefeitura do Rio de Janeiro pediu a proibição de banhistas nas praias, para evitar aglomerações - Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
Comitê Científico da Prefeitura do Rio de Janeiro pediu a proibição de banhistas nas praias, para evitar aglomerações Imagem: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

02/12/2020 22h20

O Comitê Científico da Prefeitura do Rio de Janeiro pediu, em reunião realizada hoje com o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e com a Secretaria Municipal de Saúde, que as medidas de isolamento social sejam novamente reforçadas após o aumento no número de casos da covid-19 na cidade. Um dos integrantes do grupo detalhou alguns dos pedidos feitos às autoridades municipais — entre elas, o fechamento das escolas e a proibição de banhistas nas praias.

"Ficou claro que houve um aumento na demanda por leitos, houve um crescimento no número de casos e isso se deve à desobediência às regras que foram estabelecidas. É uma novidade para os médicos de todo mundo e estamos aprendendo e apanhando muito com esse vírus", disse ao UOL o médico Sylvio Provenzano, conselheiro do CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro).

O Comitê, formado por médicos, pesquisadores e funcionários da Prefeitura do Rio, foi criado no início da pandemia para analisar a situação da covid-19 no município.

De acordo com boletim enviado pela Secretaria de Estado de Saúde, foram 3.415 novos pacientes infectados pela covid-19 no estado hoje. No total, são 361.897 casos confirmados da doença, desde o início da pandemia.

"O prefeito, depois da reunião, disse que iria se reunir com o Governo do Estado para tomar decisões. Nós pedimos que aumentasse o número de transporte público. A redução nos números [de ônibus] faz com que os poucos que estejam circulando em condições até duvidosas estejam superlotados", relatou Provenzano.

O médico e integrante do Comitê Científico afirmou também que foi pedido a Crivella para que a prefeitura proíba o funcionamento de bares e restaurantes a partir das 22h e que pistas de dança e boates sejam fechadas, para evitar aglomerações. "Eventos também não deveriam ser autorizados. Foi pedido também o controle maior e a participação da Guarda Municipal para fiscalizar o uso das máscaras, inclusive dentro dos transportes públicos e o fechamento das escolas", acrescentou Provenzano.

Na reunião, chegou a ser solicitado o fechamento do comércio, porém o pedido não foi apreciado por outros integrantes do Comitê — para a maioria, a lojas estão seguindo os protocolos exigidos, como aferir a temperatura dos clientes e fiscalizar o uso da máscara. Foi sugerido ainda que cirurgias eletivas não sejam realizadas, mas as oncológicas e neurológicas, ou seja, as de maior urgência, sejam mantidas, de acordo com o médico.

"A situação realmente preocupa, mas a Secretaria Municipal de Saúde entendeu nossos pedidos. Tinham participantes da Vigilância Sanitária, que está ligada à Secretaria Estadual de Saúde, mas a pasta não participou e não tinha ninguém autorizado a falar em nome do Governo do Estado", finalizou Provenzano.

De acordo com um outro integrante que participou da reunião, as medidas sugeridas devem ser discutidas amanhã durante um encontro entre o prefeito Crivella e o governador em exercício Claudio Castro.

Ao UOL, a Secretaria de Estado de Saúde disse em nota que, a respeito das medidas sugeridas pelo Comitê, "este assunto já vem sendo avaliado e discutido pelo Governo do Estado com os prefeitos da capital e dos demais municípios e continuará sendo debatido".

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