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Coronavírus

Comitê quer endurecer quarentena em SP e enviará novo projeto a Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, recebem doses da CoronaVac  - Governo de São Paulo/Divulgação
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, recebem doses da CoronaVac Imagem: Governo de São Paulo/Divulgação

Leonardo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/01/2021 04h00Atualizada em 07/01/2021 21h12

O Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo organizou um subgrupo para elaborar um novo projeto de contenção da covid-19 no estado. O objetivo dos médicos é conseguir endurecer as restrições da quarentena propostas pelo Plano São Paulo que, na avaliação de membros do grupo ouvidos pelo UOL, "está muito flexível".

O Centro de Contingência é uma pasta independente, que conta com infectologistas e epidemiologistas, e foi criado pelo governo paulista com o objetivo de sugerir e guiar as ações no controle da pandemia de covid-19. A nova proposta será encaminhada para análise do governador João Doria (PSDB) na semana que vem.

A ideia ganhou peso após uma piora nos números da pandemia no mês de dezembro, quando praias ficaram lotadas e as pessoas se reuniram para festas de final de ano. Os médicos acreditam que essas aglomerações vão resultar no aumento de infectados e, posteriormente, na alta da demanda por leitos de enfermaria e UTI em hospitais.

Na visão dos membros do comitê, há um clima de "fadiga" na sociedade em relação à pandemia. Eles acreditam que as pessoas dificilmente voltarão a respeitar as regras sanitárias caso não haja um endurecimento ainda maior das restrições da quarentena.

Segundo um dos especialistas do comitê, a proposta é deixar "o plano mais ágil, sem ser tão flexível". "Quando a ocupação dos leitos de UTI chega a 80%, é estado terminal, a vaca já foi para o brejo. Temos de ter um indicador técnico que nos permita fechar a cidade, reduzir o contato e a circulação de pessoas, antes de a vaca ir para o brejo", disse.

Lockdown

Os membros do comitê ouvidos pela reportagem concordam que o cenário ideal seria seguir a linha dos países europeus que, na iminência de uma segunda onda de covid-19, estabeleceram medidas mais rígidas, como o fechamento total do comércio por determinadas horas do dia, o conhecido "lockdown".

"Mas isso é impossível, nós sabemos. Há implicações econômicas e nunca foi feito no Brasil. Mas temos de reduzir a mobilidade, temos toda receita para chegar ao final de janeiro na fase vermelha", afirmou um dos integrantes do grupo.

Mesmo se a vacinação do governo iniciar em 25 de janeiro, como previsto, os médicos afirmam que a pandemia só começará a ser freada pela imunização no mês de abril e maio. "Mesmo com vacina, vamos ter que segurar a barra por mais três meses, no mínimo. Todos os movimentos, conforme entendemos, devem ser no sentido de endurecimento [das regras]", disse um médico da equipe.

Cidades devem ir para fase laranja

Na nova atualização do Plano São Paulo, que estava prevista para ser divulgada pelo governo hoje, grande parte das cidades deve regredir da fase amarela para a fase laranja do programa —incluindo a capital e outros municípios do interior paulista. O secretário de Desenvolvimento Regional, Marcos Vinholi, no entanto, disse que a reclassificação ficará para amanhã.

Hoje, o governo anunciou a taxa de eficácia de 78% da CoronaVac, a vacina contra covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. E também disse que iniciou o pedido de aplicação emergencial do imunizante.

A Secretaria da Saúde realiza um balanço final do número de leitos e novos casos, e bateria o martelo sobre os rumos do Plano SP na noite de ontem.

Dados do governo apontam que o estado tem, atualmente, 62,5% dos leitos de UTI ocupados. Já os leitos de enfermaria estão com ocupação de 44,9%.

Na capital, a ocupação de UTIs está em 61%, segundo o último levantamento divulgado pela prefeitura ontem.

Em reunião virtual com todos os prefeitos paulistas, Doria afirmou que o estado e o país vivem uma segunda onda de covid-19.

"Tenho que fazer um alerta e um apelo. Alerta é a circunstância de segunda onda da covid-19, que chegou ao Brasil e mundo. Não tínhamos essa expectativa até outubro, mas São Paulo, Brasil e 215 países lamentavelmente estão vivendo a segunda onda deste vírus", afirmou o governador aos 645 prefeitos de cidades paulistas.

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