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Coronavírus

Após vaivém com Pazuello, Doria recebe contrato da CoronaVac assinado

O ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o governador de SP João Doria - Adriano Machado e Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o governador de SP João Doria Imagem: Adriano Machado e Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Juliana Arreguy e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

07/01/2021 18h25Atualizada em 07/01/2021 21h06

O governo do estado de São Paulo recebeu no início da noite de hoje o contrato assinado pelo Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, informou ao UOL o governador João Doria (PSDB). O acordo, de R$ 2,67 bilhões, foi firmado na tarde desta quinta (7), após o anúncio da eficácia de 78% da vacina produzida em parceria com a chinesa Sinovac.

A assinatura se dá após um longo vaivém por parte do governo federal que já havia anunciado a compra do mesmo número de doses em outubro, mas voltou atrás após desautorização pública do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Desde então, o governo paulista vem adotando uma posição de cautela — tanto que, nesta tarde, Doria o próprio governador João Doria (PSDB) chegou a desmentir publicamente o ministro Eduardo Pazuello sem saber que o acordo já havia sido firmado mais de uma hora antes.

Sem saber que o contrato, enviado ao instituto paulista nesta manhã, havia sido assinado às 16h45 pelo Instituto Butantan, o governador Doria deu uma entrevista à GloboNews às 18h desmentindo Pazuello. "O contrato foi encaminhado esta manhã, não foi assinado. Até porque, para ser assinado, precisa ser pelas duas partes, e não há assinatura nem do governo de São Paulo e nem do Ministério da Saúde", disse o governador.

Procurado pelo UOL depois da fala, Doria reconheceu que o Ministério da Saúde enviou o contrato assinado, mas disse só ter tido conhecimento às 19h. Até então, circulava entre a imprensa uma nota do Butantan que celebrava a possibilidade do acordo, mas não confirmava sua assinatura.

"De fato, o Ministério da Saúde encaminhou agora, às 19 horas, o contrato assinado eletronicamente para a aquisição das doses da vacina do Butantan, o que sempre desejamos, aliás. Desde 20 de outubro já deveríamos ter disponibilizado este contrato", afirmou Doria, em referência ao episódio de desautorização pública de outubro por parte de Bolsonaro.

O vai e vem com o governo federal deixou ressabiada a administração paulista, que não aceitou dar mais declarações à imprensa. Em dezembro, após uma reunião com Pazuello, o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, fez uma brincadeira sobre relacionamentos, uma metáfora comum no léxico presidencial. Para ele, o ministério ainda estava propondo "um namoro", mas o governo estadual queria "casar, com papel assinado".

"Agora, o Ministério da Saúde encaminhou o contrato para o Instituto Butantan. O que nós mais desejamos é que a vacina do Butantan atenda a todo o Brasil, atenda a todos os brasileiros", declarou Doria, que, nesta mesma tarde, anunciou a eficácia da CoronaVac junto ao presidente do instituto, Dimas Covas.

R$ 2,7 bilhões

Ao todo, as 46 milhões de doses custarão R$ 2.677.200.000, ou R$ 58,20 por dose, preço similar ao estabelecido na primeira intenção de compra do ministério, em outubro. O contrato prevê ainda a possibilidade do governo adquirir outras 54 milhões de doses, o que daria 100 milhões até o final do ano.

O anúncio foi feito por Pazuello em entrevista coletiva nesta tarde. Logo depois, o governo publicou um extrato de dispensa de licitação, que indica intenção de compra, no DOU (Diário Oficial da União).

As doses são quase todas de produção nacional, do Butantan, e devem ser entregues em quatro lotes entre janeiro e abril:

  • 1º lote: 8,7 milhões (6 milhões importadas e 2,7 nacionais) -- entrega até 31/01
  • 2º lote: 9.305.000 nacionais -- entrega até 28/02
  • 3º lote: 18.065.000 nacionais -- entrega até 31/03
  • 4º lote: 9.930.000 nacionais -- entrega até 30/04

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