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3 meses

Bolsonaro ironiza CoronaVac, mas eficácia de 50,38% está acima da exigida

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

13/01/2021 10h59Atualizada em 13/01/2021 15h07

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou hoje, em conversa com apoiadores, a eficácia da CoronaVac, vacina de origem chinesa e que está sendo desenvolvida e fabricada pelo Instituto Butantan (SP) no combate à pandemia do coronavírus. Em tom irônico, o governante perguntou a um seguidor: "Essa de 50% é uma boa?".

Em seguida, o chefe do Executivo federal reclama que há quatro meses estaria "apanhando por causa da vacina" (isto é, recebendo críticas) e reforça a independência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no processo de aprovação do imunizante.

De acordo com as informações divulgadas ontem pelo governo de São Paulo, a CoronaVac tem eficácia geral de 50,38%. O resultado engloba todos os grupos analisados nos testes clínicos, e o percentual está acima do mínimo exigido pela Anvisa (50%). Além disso, os 50,38% atendem aos padrões da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Hoje, Bolsonaro disse que "agora estão vendo a verdade" — o presidente não expôs o raciocínio com clareza. "O que eu apanhei por causa disso...", destacou. "Estou há quatro meses apanhando por causa da vacina. Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou irresponsável. Eu não estou a fim de agradar quem quer que seja."

De acordo com o governante, o governo utilizará a vacina que "passar pela Anvisa", "seja qual for". "Já temos um crédito de R$ 20 bilhões", completou ele, em referência à medida provisória assinada pelo Executivo para investir na aquisição de imunizantes.

Há meses, Bolsonaro vem levantando dúvidas sobre os estudos com a CoronaVac, que foi concebida pelo laboratório chinês Sinovac. O mandatário brasileiro, aliado de primeira hora de Donald Trump, tem acumulado atritos com os chineses desde o início do governo, em especial no que diz respeito a supostas divergências ideológicas.

Um dos episódios de maior repercussão ocorreu quando um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), atribuiu ao governo chinês a responsabilidade pela pandemia.

Em novembro do ano passado, Bolsonaro usou uma decisão da Anvisa, que havia paralisado os testes da CoronaVac depois da morte de um voluntário — posteriormente, comprovou-se que o óbito não teve relação com os estudos —, para atacar o governador de SP e adversário político, João Doria (PSDB).

"Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la [em referência à CoronaVac]. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu o presidente no Facebook em resposta a um seguidor.

Críticas a prefeito de BH

Pelo terceiro dia consecutivo, Bolsonaro fez críticas ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), e o usou como um exemplo do que ele condena em relação ao posicionamento de governadores e prefeitos frente à pandemia do coronavírus.

O chefe do Executivo federal é contrário às medidas de restrição, como o isolamento social e a paralisação de atividades comerciais.

"Quem vota nos parlamentares é o povo. Por exemplo, eu pedi voto para candidato a prefeito de BH. Perdi. É natural. O cara lá está fazendo barbaridade agora, fechando tudo... E já tinha fechado tudo anteriormente."

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, o nome do prefeito de Belo Horizonte é Alexandre Kalil, e não Jorge Kalil. A informação foi corrigida.

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