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Coronavírus

Bauru: dono da Havan e prefeita desafeta de Doria fazem ato contra lockdown

Andréia Martins e Douglas Porto

Do UOL, em São Paulo

12/02/2021 15h42Atualizada em 12/02/2021 23h36

A prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (Patriota), e o empresário e dono das lojas Havan, Luciano Hang, lideraram hoje uma manifestação na cidade contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o lockdown no município para conter a pandemia de covid-19.

O protesto, que contou com trio elétrico, foi apoiado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Bauru e Região, pelo senador Major Olímpio (PSL) e foi transmitido pelas redes sociais de Hang.

Uma faixa com a frase "fora Dória" (o sobrenome do governador não tem acento) foi pendurada no trio onde a prefeita e o empresário discursaram. Rosim e o governador se desentenderam depois que o tucano declarou que ela era negacionista e estava fazendo "vassalagem para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao se reunir com ele em Brasília para solicitar recursos para a cidade.

"Abrindo diálogo em todas as frentes, foi o que eu fiz desde o dia 1º de janeiro, pensando junto ao governo do estado, buscando recursos no governo federal para que Bauru tenha o que ela merece. Quem é bauruense como eu, sabe bem do que estou falando. Mais vagas de internação, Hospital das Clínicas de portas abertas não apenas de forma provisória. Nós precisamos de melhorias no nossos sistema de saúde que poderia ter sido feito", discursou Rosim.

Bauru, Franca e Araraquara estão na fase vermelha do Plano São Paulo, de acordo com a última atualização em 5 de fevereiro. Assim, apenas serviços essenciais como padarias, mercados e farmácias podem operar. Comércio, salões de beleza e academias não podem abrir, assim como bares e restaurantes, que serão permitidos apenas na modalidade delivery ou drive-thru. Festas e aglomerações em espaços públicos também estão proibidas.

"Minhas lojas em Bauru, São Carlos e Franca estão fechadas. É o estado de São Paulo que está com problema. Não passa de uma estratégia política para 2022. Aqui a cidade está no vermelho, então coloca UTI. O que falta é capacidade de resolver o problema. Quem sofre com isso é toda a população", afirmou Hang.

A fase vermelha (onde estão as três cidades citadas pelo empresário) é a mais restritiva. Nas outras (verde, amarela e laranja), o comércio pode abrir com restrição de horários.

mapa - Reprodução - Reprodução
Mapa da reclassificação do Plano São Paulo que está em vigor desde o dia 6 de fevereiro
Imagem: Reprodução

Pouco antes do protesto, o empresário e a prefeita anunciaram a ampliação da rede de lojas Havan na cidade. Hang, que já pegou covid-19 e viu a mãe morrer em decorrência da doença na semana passada, desmentiu a tese que é negacionista. Porém, tanto ele quanto a chefe do executivo bauruense estavam sem máscara e em aglomeração, o que contraria recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) para diminuir a transmissão do novo coronavírus.

"Eu próprio perdi minha mãe. Ninguém aqui é negacionista. Agora tem que ter saúde. Um ano depois fechando a cidade", explicou. Após fazer comparações com Santa Catarina, Hang atacou o governo tucano. "É incompetência. O resto do Brasil está errado ou é o estado de São Paulo?", questionou.

O que diz o Governo de São Paulo

Procurado pelo UOL, o Governo do Estado de São Paulo, por meio do secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, explicou que mesmo que respeitem opiniões divergentes e mobilizações "é importante lembrar que a própria lei vigente não tolera o uso de instituições públicas a favor de convicções políticas e de anseios pessoais."

Ainda ressaltou que Suéllen Rosim "não transparece preocupação face ao alarmante número de casos registrados no último mês pelo Centro de Contingência do Governo do Estado, o que fez, inclusive, com que a região que abarca Bauru fosse classificada na fase vermelha. Hoje, a cidade contabiliza 23.990 confirmações de coronavírus."

Sobre o encontro da prefeita com Luciano Hang, Vinholi manifesta que "é quase de se indignar o fato de Suéllen não se incomodar em marcar presença numa carreata que vai de encontro ao enfrentamento da pandemia ao lado de alguém que perdeu há poucos dias a mãe para a covid."

O que diz a Prefeitura de Bauru

A Prefeitura de Bauru, em nota ao UOL, justifica que Luciano Hang esteve na cidade "por iniciativa própria, a convite do Sincomércio." Segundo o comunicado, ele convidou Suéllen Rosim para um almoço "e na ocasião anunciou que ampliará a sua loja no município, contratando mais funcionários. Em seguida, a prefeita foi convidada a participar do ato".

"Ela fez um rápido discurso, único momento em que retirou a máscara, enfatizando a necessidade da criação de mais leitos de UTI e da abertura definitiva do Hospital das Clínicas (HC) pelo Estado. Depois, Suéllen voltou para a prefeitura", conclui.

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