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Coronavírus

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1 mês

Bolsonaro diz que ministros pediram para ele se vacinar: 'Serei o último'

Do UOL, em São Paulo

08/03/2021 19h21Atualizada em 08/03/2021 21h47

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje que foi cobrado por ministros de seu governo para se vacinar contra a covid-19, mas logo avisou que será o último, durante entrevista concedida ao "Brasil Urgente", da TV Bandeirantes.

"Teve uma reunião de ministros onde quase a unanimidade achava que eu devia me vacinar. Mas com todo respeito, eu sou mais eu sozinho do que os 23 [ministros] juntos. Agora, eu pretendo dar a chance para que todos se vacinem", disse Bolsonaro.

"Eu me sinto muito bem, eu já estou aqui imunizado. Eu peguei o vírus em meados do ano passado, estou muito bem. O pessoal aí que precisa da vacina que se vacine na minha frente. O bom soldado é aquele que está na linha de frente pra levar tiro, no caso, como é pra levar uma agulhada, uma vacina, eu vou estar lá atrás, deixando que primeiro todos os 210 milhões de brasileiros se vacinem e eu serei o último", acrescentou, em seguida.

O apresentador José Luiz Datena insistiu na pergunta: "Mas vai tomar [a vacina]?". Bolsonaro, então, deu uma gargalhada e disse: "Boa noite, Datena!"

Bolsonaro já foi diagnosticado com a doença em julho do ano passado, mas cientistas ainda não sabem dizer por quanto tempo as pessoas ficam protegidas de se infectar novamente. Ou seja, o fato de ter se imunizado contra o vírus, como ele mesmo diz, não significa que não deva tomar a vacina.

Pesquisas indicam que é preciso um índice de vacinação entre 60% e 80% para atingir a imunidade de rebanho e formar uma barreira que impeça a circulação do novo coronavírus. Se esse índice não for atingido, o resultado é óbvio: a doença vai continuar provocando internações, saturando os sistemas de saúde mundo afora e provocando mais mortes.

"Se resolver tomar, tomarei"

Na última sexta (5), Bolsonaro admitiu em conversa com apoiadores, em Brasília, que pode tomar a vacina contra a covid-19. "Eu já tive o vírus vivo, então estou imunizado. Deixa outro tomar a vacina no meu lugar. Lá na frente, lá na frente, depois que todo mundo tomar... Se eu resolver tomar, porque no que depender de mim é voluntário, eu tomarei", disse ele, em vídeo publicado por um canal bolsonarista no YouTube.

Em dezembro, Bolsonaro chegou a dizer durante evento em Porto Seguro (BA) que não tomaria a vacina e criticou a obrigatoriedade da imunização: "Já tenho anticorpos. Pra que tomar a vacina de novo?".

Na ocasião, ele também ironizou eventuais efeitos colaterais, dizendo que poderiam fazer "virar jacaré e Super-Homem" e "nascer barba em mulher ou algum homem começar a falar fino". Por fim, ele acrescentou: "Não tenho nada a ver com isso".

No mês passado, o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Antonio Barra Torresquis convidou o presidente para tomar o imunizante, durante participação de live semanal realizada nas redes sociais.

"Vai ter uma moeda de troca. Quero saber se o senhor está disposto... É a recíproca". Bolsonaro então sorriu e disse: "sem contrapartida", fazendo o sinal negativo com a cabeça.

Em novembro, o sigilo à carteira de vacinação de Bolsonaro foi decretado após pedido de acesso feito por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) pela revista Época. A assessoria da presidência disse, na época, que o sigilo foi baixado porque os dados "dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem" de Bolsonaro. A Justiça deu um prazo de 72 horas para que o Planalto explicasse o motivo do sigilo.

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