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1 mês

Governador da BA diz que 'Anvisa está buscando desculpa' para negar Sputnik

Rui Costa, governador da Bahia, criticou a Anvisa na manhã de hoje após a agência negar o uso da Sputnik no Brasil - Reprodução/Instagram
Rui Costa, governador da Bahia, criticou a Anvisa na manhã de hoje após a agência negar o uso da Sputnik no Brasil Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

30/04/2021 11h52Atualizada em 30/04/2021 14h58

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), criticou hoje a posição da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de negar o pedido de importação e uso da vacina russa Sputnik V. A agência tomou a decisão, por unanimidade, na última segunda-feira e alegou a "falta de documentação" e os possíveis riscos do imunizante à saúde. Para Costa, a agência busca uma "desculpa" para negar o uso do imunizante no país. Em resposta, a Anvisa apontou falta de conhecimento na crítica do governador.

Eu aprendi um ditado na minha vida que diz assim: quem quer arruma uma forma de fazer, quem não quer, arruma uma desculpa. Eu tenho a convicção que desde o início a Anvisa está buscando uma desculpa. Acaba com essa polêmica [de ter vírus replicante na Sputnik] ao invés de ficar numa posição, na minha opinião, de vaidade, ou de defesa da corporação. É ter um pouco de sensibilidade, boa vontade. Nós não nos conformamos com essa apatia da Anvisa."
Rui Costa, governador da Bahia, em entrevista à GloboNews

Costa declarou que ele e o Consórcio do Nordeste — que tem contrato para a compra de 37 milhões de doses da vacina russa — desejam que a Anvisa tenha "um pouco de boa vontade e de determinação para fazer a pesquisa" com testes que comprovem que esse imunizante realmente contém adenovírus replicante, ou seja, um vírus com capacidade de se multiplicar no corpo do paciente que receber a imunização, como afirmado pela agência.

Ao informar a decisão na segunda-feira (26), o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, demonstrou preocupação com a possibilidade de que o imunizante seja prejudicial à saúde humana devido ao tipo de vírus usado na fabricação do imunizante.

Segundo Mendes, isso seria "uma não conformidade grave" que está em "desacordo com o desenvolvimento de qualquer vacina de vetor viral" e pode acarretar infecções em seres humanos, causando até danos e óbitos, principalmente em pessoas com baixa imunidade e problemas de saúde.

A questão do adenovírus replicante foi negada em uma declaração conjunta do Instituto Gamaleya e o fundo russo responsável pela vacina Sputnik V. Entre outras questões, eles afirmaram realizar controles de qualidade rigorosos, e garantiram que "nenhum adenovírus competente para replicação" foi encontrado nos lotes produzidos.

Os responsáveis pela produção da Sputnik disseram que vão processar a Anvisa por difamação. Já ontem, o diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres, disse que as alegações dos russos de que a Anvisa mentiu são um "ataque feito a um país e a um Estado" e expôs diálogos.

Costa disse esperar que a Anvisa faça ou "encomende a um laboratório isento os testes para saber se tem ou não esse vírus replicante ao invés de ficar em um debate sem sentido" com os russos. O governador ainda disse ter solicitado a cópia dos documentos usados pela agência para determinar o parecer.

O político também criticou que a Anvisa tenha dado o parecer sobre o uso da Sputnik somente após o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), negar o pedido da agência para suspender o prazo de 30 dias para avaliação do pedido de importação da vacina russa.

"O que nós queremos é uma posição proativa da Anvisa no sentido de buscar aprovar vacinas ou de anunciar ao mundo que essa vacina não presta. O que nós não concordamos é com essa posição cômoda de dizer 'são os russos quem tem que provar'. Não, somos nós que temos que buscar se essa vacina é boa ou não", afirmou Costa.

Para o governador há diferença nos critérios usados pela agência para avaliar o uso dos imunizantes de diferentes laboratórios no território nacional. Ele afirmou ser necessário que não tenha "um critério a depender do fabricante ou da marca da vacina".

"Eu vou fazer aqui publicamente mais um apelo: em nome das 400 mil famílias que perderam os seus parentes, em nome de tantos outros, um pouco de boa vontade, façam os testes. O que nós queremos não é uma posição defensiva, acomodada e repito: só houve julgamento naquele dia porque o STF determinou."

Anvisa aponta falta de conhecimento em crítica de Costa

Na tarde de hoje, o presidente da Anvisa deu uma entrevista à GloboNews na qual afirmou que a atividade regulatória é algo realmente difícil de entender, portanto, ele entende que "quem dela não participa tenha ideias, buscando respostas, eu acredito que tenha sido isso que o senhor governador da Bahia tenha fez na sua alocução matinal do dia de hoje".

Barra Torres explicou que o método científico regulatório é baseado na análise documental e, por consequência, a agência não pode pegar um frasco da vacina russa disponibilizada na Argentina e submeter a uma pesquisa laboratorial, conforme sugerido por Costa na manhã de hoje.

O presidente da Anvisa ainda explicou que a alegação de "replicação viral está testada nos documentos do próprio desenvolvedor, onde ele coloca de maneira clara e ostensiva [essa informação]". Barra Torres detalhou que a multiplicação do vírus acontece dentro do corpo do ser humano que recebe a vacina. De tal modo, a análise do conteúdo dentro do frasco do imunizante não seria uma possibilidade para atestar os riscos da vacina à saúde dos imunizados.

*Com informações de Lucas Valença e Rafael Bragança, colaboração para o UOL, em Brasília, e do UOL, em São Paulo

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