Morales confia em voto de indígenas e pobres para superar referendo

Em La Paz

  • Danilo Balderrama/Reuters

O presidente da Bolívia, Evo Morales, espera que o resultado da votação de suas bases indígenas e pobres possa reverter os números extraoficiais que apontam a sua derrota no referendo de domingo sobre a reforma constitucional que permitiria sua candidatura a outro mandato, até 2025.

O vice-presidente Álvaro García afirmou que Morales "está na expectativa do processo eleitoral" e acredita que os resultados "se modifiquem de uma maneira drástica devido ao voto no exterior comunidades afastadas".

O presidente, que governa a Bolívia desde 2006, deve falar com a imprensa nesta segunda-feira.

O canal de televisão ATB, que citou o instituto Ipsos, anunciou a vitória do Não por 52,3% dos votos, enquanto a emissora Unitel (instituto Mori) informou um índice de 51%. O resultado do Sim foi de 47,7% e 49%, respectivamente, segundo uma apuração rápida de uma mostra representativa dos locais de votação.

Os resultados oficiais têm uma apuração mais lenta: o Órgão Eleitoral Plurinacional (OEP) anunciou 27% das urnas apuradas, com uma vantagem do Não, com 63,51% dos votos, contra 36,49% do Sim, números insuficientes para marcar a tendência final do referendo.

O voto leal a Morales está na área rural do país, onde os resultados demoram a chegar, além do voto no exterior, que segundo García pode mudar o resultado em meio ponto percentual.

"Acreditamos que os resultados serão favoráveis ao MAS (Movimento Ao Socialismo, o partido de Morales) porque é o partido dos pobres, dos humildes, das pessoas que moram mais afastadas e é aí onde nossa força vai se manifestar", disse.

O vice-presidente afirmou que "nas contagens rápidas não são levados em consideração os votos no exterior, nem as atas nos bairros mais afastados, nem das comunidades mais afastadas, onde o MAS tem um percentual maior de votação".

"A vitória será definida nas próximas horas", afirmou, antes de criticar a oposição por ter celebrado prematuramente um triunfo com base em dados extraoficiais.

"Estamos diante de um claríssimo empate técnico eleitoral", completou García, que tem esperanças nos votos dos bolivianos que moram na Argentina e Brasil (quase 25.000) e de localidades remotas, não contempladas na contagem rápida, para dar a vitória ao Sim.

Quase 6,5 milhões de bolivianos votaram no país no domingo, enquanto outros 300.000 votaram no exterior.

Celebração antecipadaSe os resultados extraoficiais se confirmarem, esta seria a primeira e mais séria derrota eleitoral direta do presidente boliviano, há dez anos no poder, embora em 2015 seu partido já tenha perdido cargos-chave nas eleições municipais.

Isto o obrigaria a passar a faixa presidencial no início de 2020, quando finalizar seu terceiro mandato.

"A Bolívia disse não!", disse, eufórico, o governador de Santa Cruz (leste), Rubén Costas, líder de um setor da oposição, enquanto o ex-candidato presidencial Samuel Doria Medina, derrotado duas vezes por Morales, avaliou: "Recuperamos a democracia e recuperamos o direito de escolher".

"Hoje foi sepultado o projeto de transformar o nosso país em um projeto de um único partido. Esta é a vitória do povo", disse Doria Medina, em coletiva de imprensa.

Nas últimas semanas a situação se complicou para o presidente de 56 anos, que se viu afetado por um escândalo de suposto tráfico de influência a favor da empresa chinesa CAMC, na qual sua ex-companheira Gabriela Zapata trabalha como gerente comercial. A companhia obteve contratos públicos que alcançam 560 milhões de dólares e o caso é investigado no Congresso. Morales nega as acusações.

Oposição dispersaO analista independente Jorge Komadina afirmou, com base nos dados extraoficiais, que o resultado "está mostrando um apoio importante nas províncias, mas nas cidades capitais, inclusive nas intermediárias, uma votação forte pelo Não".

Mas ele considera que as "forças da oposição (que reivindicam o triunfo do Não) são forças dispersas, não têm um candidato, não são um ator homogêneo que tem uma única estratégia política, e sim um conjunto disperso de sensibilidades, de lideranças e vontades políticas".

A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Katia Uriona, considerou que o dia de votação "transcorreu em absoluta normalidade", exceto "um caso isolado" em Santa Cruz, onde alguns eleitores, incomodados com atrasos, queimaram urnas vazias.

 

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