Morre Marco Aurélio Garcia, articulador de Lula com esquerda latino-americana

São Paulo, 20 Jul 2017 (AFP) - Marco Aurélio Garcia, o grande articulador com os governos de esquerda latino-americanos durante as presidências de Lula e de Dilma Rousseff, morreu nesta quinta-feira, em São Paulo, vítima de um infarto aos 76 anos, informou o Partido dos Trabalhadores (PT).

Assessor especial para Assuntos Internacionais dos governos do PT, Marco Aurélio Garcia foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e secretário de Relações Internacionais do partido.

Professor aposentado de história da Universidade de Campinas, Marco Aurélio Garcia ocupou durante os governos petistas uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, muito próxima ao gabinete presidencial.

Ao noticiar o falecimento, o PT destacou que Marco Aurélio Garcia foi um "importante líder" na construção e execução da política externa brasileira, e um dos "grandes apoiadores" do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do fortalecimento das relações do Brasil com os demais países do hemisfério sul, principalmente na África e na América Latina.

Nascido em Porto Alegre em 1941, Marco Aurélio Garcia atuou no movimento estudantil de esquerda e nos anos 1960 foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e vereador na capital gaúcha.

Na década de 70 viveu na França e no Chile, voltando ao Brasil em 1979 para ajudar a fundar o PT.

Formado em filosofia e em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o "professor", como era conhecido, era pós-graduado na Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais de Paris

Ensinou na Unicamp, na Universidade do Chile, na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e nas universidades Paris VIII e Paris X.

Marco Aurélio foi secretário de Cultura de Campinas (1989-1990) e de São Paulo (2001-2002), além de vice-presidente do PT de outubro de 2005 a fevereiro de 2010.

Nas eleições de 1994, 1998 e 2006, ele coordenou o programa de governo de Lula e, em 2010, o de Dilma.

No governo Lula, Marco Aurélio ajudou o Brasil a expandir embaixadas na África. O assessor especial do presidente também atuou na aproximação do país com o regime de Hugo Chávez na Venezuela.

"O professor Garcia" foi um dos homens que promoveram a política de realinhamento Sul-Sul liderada por Lula, ao lado do chanceler Celso Amorim.

"Tivemos uma parceria perfeita. Marco Aurélio reunia humanismo, sabedoria e bom humor. Aprendi muito com ele. Homem de razão e de princípios. Fiel a suas ideias e seus amigos. Uma enorme perda para o país em um momento em que faltam estadistas e sobram interesses", disse Celso Amorim.

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