Morre ex-ditador guatemalteco Ríos Montt, acusado de genocídio

Cidade da Guatemala

  • Moises Castillo/AP

    O ditador guatemalteco Efrain Rios Montt, em foto de 1995

    O ditador guatemalteco Efrain Rios Montt, em foto de 1995

O ex-ditador guatemalteco Efraín  Ríos  Montt, que governou a Guatemala com mão de ferro entre 1982 e 1983 e que foi acusado de genocídio de indígenas, morreu neste domingo (1º), aos 91 anos, informaram fontes próximas à família.

Ríos  Montt morreu em sua residência em decorrência de um infarto, confirmou a jornalistas Jaime Hernández, um dos advogados que defendeu o ex-ditador durante o julgamento por genocídio e que é próximo à família.

Outro de seus advogados, Luis Rosales, comentou que o ex-chefe de Estado "morreu em casa, com o amor de sua família, com sua consciência sã".

Rosales garantiu ao jornal "Prensa Libre" que Ríos  Montt "morreu em paz, tranquilo, e todos com a convicção de que no país nunca houve genocídio e que ele foi inocente do que o acusaram" sobre o que ocorreu no contexto de guerra civil vivida pelo país entre 1960 e 1996.

Círculos conservadores e de extrema-direita da Guatemala sempre apoiaram Ríos Montt, negando qualquer genocídio e afirmando que as vítimas foram frutos do confronto armado entre os anos 1960 e 1996.

O ex-militar, acusado de arrasar aldeias indígenas durante seu violento regime, morreu em meio a um processo por crime de genocídio, que correu sob sigilo depois que foi diagnosticado com demência senil e outros problemas médicos.

O processo penal o teria permitido, caso fosse condenado, cumprir prisão domiciliar ou em um centro assistencial de escolha da família.

O ex-chefe de Estado havia sido condenado em 10 de maio de 2013 a 80 anos de prisão por crime de genocídio por um Tribunal de Mayor  Riesgo, entretanto, dez dias depois sua condenação foi anulada por falhas processuais pela máxima instância penal do país, a Corte de Constitucionalidade.

O tribunal responsabilizou Ríos Montt pela morte de 1.771 indígenas maias ixiles no departamento de Quiché (norte) durante seu governo.

O advogado do Centro para a Ação Legal em Direitos Humanos (Caldh), Héctor  Reyes, afirmou à AFP que Ríos  Montt "morreu condenado por genocídio e crimes contra a humanidade como comprovado pela justiça" em sua decisão de 2013.

"Falamos em nome das vítimas do grupo étnico afetado, representamos suas vozes", acrescentou, ao indicar que todo 10 de maio desde 2013 comemoram a condenação.

Ríos  Montt chegou ao poder por meio de um golpe de Estado em 23 de março de 1982 e foi derrotado da mesma forma por seu ministro da Defesa, Oscar Mejía  Victores, em 8 de agosto de 1983.

Seu curto período no governo foi considerado um dos mais violentos durante os 36 anos de guerra civil no país, segundo um relatório da ONU apresentado em 1999, que afirma que foi cometido ato de genocídio na Guatemala.

Segundo o documento, entre 1978 e 1984 ocorreram 91% das violações de direitos humanos da guerra, que deixou 200 mil mortos e desaparecidos.

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