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Bombardeios de Israel após disparos de foguetes palestinos deixam 20 mortos em Gaza

10.mai.21 - A polícia israelense usa gás lacrimogêneo, balas de borracha e granadas de choque para dispersar os palestinos que estavam de guarda na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental - Anadolu Agency/Anadolu Agency via Getty Images
10.mai.21 - A polícia israelense usa gás lacrimogêneo, balas de borracha e granadas de choque para dispersar os palestinos que estavam de guarda na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental Imagem: Anadolu Agency/Anadolu Agency via Getty Images

10/05/2021 19h08

Pelo menos 20 pessoas, incluindo nove crianças e um comandante do grupo islamita Hamas, morreram na noite desta segunda-feira em ataques atribuídos ao Exército de Israel na Faixa de Gaza em resposta ao lançamento de uma centena de foguetes a partir do enclave palestino, após novos confrontos na Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar mais sagrado do islamismo.

O Exército israelense afirmou que 150 foguetes foram lançados de Gaza, dezenas dos quais foram interceptados pelo sistema de defesa sem deixar vítimas. O Hamas informou ter lançado mais de 100 foguetes contra Israel "em resposta a seus crimes e à sua agressão contra a Cidade Sagrada", após confrontos violentos entre palestinos e a polícia israelense, principalmente na Esplanada, localizada na Cidade Velha de Jerusalém.

Os Estados Unidos pediram aos dois lados que reduzam a tensão e, ao Hamas, que deixe de lançar foguetes contra Israel. Em meio aos apelos internacionais por calma, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiou hoje a "firmeza" das forças de segurança para garantir "a estabilidade" em Jerusalém. Ele advertiu que o Hamas cruzou uma "linha vermelha" ao disparar projéteis contra o território israelense, e que "Israel irá reagir com força. Quem atacar pagará um preço alto."

Novos confrontos entre palestinos e policiais israelenses ocorriam esta noite na Esplanada, com feridos. Dezenas de palestinos lançaram projéteis contra as forças de ordem de Israel, que usaram bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar o grupo. Os confrontos também aumentaram esta noite na Cisjordânia ocupada, principalmente em Ramallah, Nablus, Hebron e no cruzamento de Qalandiya, com feridos.

Muhamad Fayad, comandante do braço armado do Hamas, morreu em Beit Hanun, norte de Gaza, confirmou uma fonte do movimento islamita armado que controla aquele enclave palestino.

Ultimato do Hamas

Horas antes, o Hamas havia ameaçado com uma escalada militar se as forças de Israel não se retirassem esta noite da Esplanada, um local sensível para palestinos e israelenses. Na véspera, balões incendiários e foguetes haviam sido lançados do enclave palestino em direção ao sul de Israel, em apoio aos manifestantes de Jerusalém.

A escalada da tensão acontece no quarto dia de confrontos entre palestinos e forças de segurança de Israel em Jerusalém Oriental, setor palestino da cidade ocupado ilegalmente e anexado por Israel. Esta noite, foi declarado um incêndio de causa desconhecida, visível em um raio de 2 km, no recinto da Esplanada, onde milhares de fiéis estavam reunidos para a oração da noite.

Durante a manhã, centenas de palestinos lançaram projéteis e policiais responderam com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Esses confrontos coincidiram com a celebração, nesta segunda-feira, de acordo com o calendário hebraico, do "Dia de Jerusalém" que marca a conquista da parte oriental da cidade por Israel em 1967. A "marcha de Jerusalém", muitas vezes envolvida em distúrbios e que reuniu milhares de israelenses na Cidade Velha, foi cancelada.

Na última sexta-feira, mais de 200 pessoas ficaram feridas em confrontos entre policiais e palestinos na Esplanada, nos confrontos mais violentos desde 2017 neste setor. Diante do aumento da violência, o Conselho de Segurança da ONU, a pedido da Tunísia, reuniu-se hoje, mas não conseguiu elaborar uma declaração conjunta.

Uma das causas da recente tensão em Jerusalém Oriental é o futuro de várias famílias palestinas do bairro Shaykh Jarrah, ameaçadas de expulsão em benefício dos colonos israelenses. Nesse contexto, a justiça israelense adiou uma audiência sobre o caso marcada para esta segunda-feira.

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