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Cuba nega 'repressão contra o povo' e critica sanções americanas

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que não houve em Cuba "um ato de repressão contra o povo" - Yamil Lage/AFP
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que não houve em Cuba "um ato de repressão contra o povo" Imagem: Yamil Lage/AFP

Em Washington

23/07/2021 06h51

Cuba classificou de "caluniosas" as sanções anunciadas ontem por Washington contra seu ministro da Defesa e negou que tenha havido na ilha "um ato de repressão contra o povo" durante os protestos do último dia 11.

Os Estados Unidos impuseram ontem sanções ao ministro cubano Álvaro López Miera e a uma unidade antimotins pela repressão às manifestações populares recentes na ilha. Mas o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que não houve em Cuba "um ato de repressão contra o povo, como não houve nenhuma explosão social".

"As sanções são irrelevantes, porque me consta que esse ministro não possui contas em bancos americanos e nunca me disse que estava interessado em fazer turismo em Miami, mas são relevantes a partir da implicação política agressiva", declarou o chanceler em entrevista coletiva.

Milhares de cubanos saíram às ruas de mais de 40 cidades de Cuba em 11 e 12 de julho aos gritos de "Estamos com fome!", "Liberdade!" e "Abaixo a ditadura!", em meio à pior crise econômica do país em décadas e ao maior aumento de infecções e mortes por covid-19 desde o início da pandemia.

As manifestações foram consideradas "pacíficas" pela CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA, que, ao condenar "a repressão estatal e o uso da força", relatou pelo menos uma morte e 151 pessoas presas ou com paradeiro desconhecido. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu a libertação urgente de todos os detidos.

O chanceler não quis informar o número de detidos durante as manifestações, mas afirmou que a maioria foi libertada e que não há nenhum menor de idade preso. Também assinalou que, em todos os casos, foi respeitado o devido processo, com a assistência de advogados.

"Foram divulgadas listas de desaparecidos, declaro aqui que elas são absolutamente falsas e nego que haja um caso sequer", enfatizou Rodríguez, ante as múltiplas denúncias publicadas nas redes sociais, de detidos e pessoas não localizadas. O presidente americano, Joe Biden, ou funcionários do seu governo "não têm absolutamente nenhuma autoridade moral para pedir que sejam libertadas pessoas presas em Cuba.

Pouco antes, Rodríguez havia publicado no Twitter que os Estados Unidos "deveriam aplicar a si próprios a Lei Global Magnitsky, pelos atos de repressão cotidianos e brutalidade policial, que custaram 1.021 vidas em 2020". A Lei Magnitsky permite que os Estados Unidos sancionem estrangeiros suspeitos de violações graves dos direitos humanos ou corrupção em larga escala, e foi citada pelo Tesouro americano para justificar as sanções.

Além de López Miera, o Tesouro anunciou hoje que bloqueou os interesses e propriedades da Brigada Especial Nacional do Ministério do Interior de Cuba. Segundo a instituição, as sanções correspondem a supostos abusos dos direitos humanos ocorridos durante as manifestações recentes na ilha.

Sobre a preparação de uma flotilha de cubanos residentes nos Estados Unidos, que poderia chegar a águas cubanas a partir da Flórida, Rodríguez alertou Washington para agir "com seriedade, para evitar incidentes que não convêm a ninguém".

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