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Quatro militares mortos após prisão de chefe narcotraficante na Colômbia

24.out.2021 - Membros do Exército colombiano escoltam o chefe do narcotráfico mais procurado da Colômbia, Dairo Antonio Usuga, o "Otoniel" - AFP/Polícia da Colômbia
24.out.2021 - Membros do Exército colombiano escoltam o chefe do narcotráfico mais procurado da Colômbia, Dairo Antonio Usuga, o 'Otoniel' Imagem: AFP/Polícia da Colômbia

26/10/2021 13h52Atualizada em 26/10/2021 14h42

Ao menos quatro militares morreram e três ficaram feridos em dois ataques com explosivos e disparos no noroeste da Colômbia em represália pela recente captura de Otoniel, o chefe máximo do narcotráfico, disseram as autoridades nesta terça-feira (26).

Em uma primeira ação, três soldados morreram na noite de segunda-feira com a detonação de uma carga explosiva na passagem de seu veículo seguida por tiros de fuzil.

O ataque, no qual três militares também ficaram feridos, ocorreu na cidade de Turbo, no departamento de Antioquia, área de influência do Clã do Golfo que era liderado por Otoniel até sua prisão no sábado para ser extraditado aos Estados Unidos, informou uma fonte militar.

Foi "uma retaliação pela captura do narcotraficante mais procurado pelas autoridades mundiais e colombianas", disse à Blu Radio o general do exército Juvenal Díaz.

Em um comunicado, essa instituição informou a morte de outro militar em Ituango, município do mesmo departamento.

"Uma unidade militar foi atacada por membros do mesmo grupo armado organizado, ferindo um de nossos uniformizados (...) (que) infelizmente morreu", segundo o boletim divulgado nesta terça-feira, que não informa o momento do incidente.

Dairo Antonio Úsuga, conhecido como Otoniel e líder do Clã do Golfo, foi detido no sábado nas montanhas de Antioquia em uma megaoperação de 500 policiais e militares após anos de uma intensa busca.

"Rejeitamos e condenamos o assassinato covarde de 3 soldados do @COL_EJERCITO , quando realizavam serviços de vigilância em Turbo, Antioquia", reagiu o presidente Iván Duque em uma mensagem no Twitter.

O general Díaz afirmou que os militares estão em alerta para novas ações de represália da organização de Otoniel, que opera principalmente em Antioquia e Chocó, em uma área adjacente ao Panamá.

O centro de estudos independente Indepaz estima que o Clã do Golfo conte com uma força de cerca de 1.600 homens. As autoridades calculam que chegaria a 3.800 integrantes entre combatentes e colaboradores.

"Todos os indícios nos mostram que esses bandidos vão tomar retaliações pela captura", acrescentou Díaz.

A prisão de Otoniel é o ataque mais contundente de Duque ao narcotráfico em seus três anos de governo.

"Reiteramos que esses criminosos e narcotraficantes que atentam contra nossa Força Pública serão perseguidos e levados à Justiça", advertiu o presidente.

Especialistas acreditam que os subordinados de Otoniel podem desencadear uma guerra para preencher o vazio deixado por ele, em um confronto que assusta os moradores da região. "Chiquito Malo" e "Siopas" aparecem como os possíveis sucessores do narcotraficante.

Segundo o ministério da Defesa, o Clã do Golfo exporta 30% da cocaína que sai da Colômbia (cerca de 300 toneladas) anualmente, o país considerado pela ONU como o maior produtor dessa droga.

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