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EUA e Alemanha alertam Rússia que gasoduto russo-alemão está em jogo se invadir a Ucrânia

7.set.2020 - Placa direciona para a entrada da instalação de aterramento da linha de gás Nord Stream 2 em Lubmin, no nordeste da Alemanha - Odd Andersen/AFP
7.set.2020 - Placa direciona para a entrada da instalação de aterramento da linha de gás Nord Stream 2 em Lubmin, no nordeste da Alemanha Imagem: Odd Andersen/AFP

Da AFP

28/01/2022 00h17Atualizada em 28/01/2022 06h44

Os Estados Unidos e a Alemanha alertaram a Rússia nesta quinta-feira (27) que o importante gasoduto Nord Stream 2 está em jogo se invadir a Ucrânia, enquanto Washington expressou esperança de uma saída diplomática, apesar das declarações frias de Moscou.

O destino deste polêmico gasoduto russo-alemão, nunca bem-visto por Washington, mas concluído com a bênção de Berlim, certamente estará no centro da visita do chanceler alemão, Olaf Scholz, a Washington em 7 de fevereiro para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Intensificando a ofensiva diplomática, os Estados Unidos convocaram uma reunião aberta no Conselho de Segurança da ONU para a próxima segunda-feira sobre o "comportamento ameaçador" da Rússia, na esperança de obter uma condenação, embora Moscou possa vetar qualquer resolução.

Biden também conversou por telefone com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nesta quinta-feira e disse que os Estados Unidos estão considerando dar a ele mais apoio financeiro, depois dos US$ 650 milhões enviados em assistência militar no ano passado.

Biden "reafirmou a prontidão dos Estados Unidos, juntamente com seus aliados e parceiros, para responder decisivamente se a Rússia invadir a Ucrânia", declarou a Casa Branca em comunicado.

O presidente americano, porém, reiterou que a Ucrânia poderá ser alvo de uma invasão russa em fevereiro.

"O presidente Biden disse que há uma perceptível possibilidade de que os russos invadam a Ucrânia em fevereiro", afirmou à AFP o a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Emily Horne.

A Otan colocou 8.500 tropas em alerta, enquanto Moscou enviou cerca de 100 mil soldados para a fronteira com a Ucrânia.

Nord Stream 2

A Alemanha, após uma atitude ambígua nas últimas semanas, procurou esclarecer sua posição nesta quinta-feira.

"Estamos trabalhando em um pacote de sanções forte" com aliados ocidentais neste caso, cobrindo vários aspectos "incluindo o Nord Stream 2", declarou a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, ao Parlamento.

O gasoduto Nord Stream 2, que a Alemanha construiu apesar das críticas dos Estados Unidos e dos países do Leste Europeu, mais que dobrará o fornecimento de gás natural russo para a economia alemã.

Em Washington, Victoria Nuland, a terceira na hierarquia do Departamento de Estado, afirmou estar confiante de que uma invasão impediria a Alemanha de ativar o projeto multibilionário, que foi concluído em setembro, mas ainda requer testes e aprovação regulatória.

"Se a Rússia invadir a Ucrânia, de uma forma ou de outra, o Nord Stream 2 não seguirá em frente", garantiu Nuland a repórteres.

A aliança militar da Otan, liderada pelos Estados Unidos, colocou 8.500 soldados de prontidão para lidar com a crise na Ucrânia, um cenário que lembra a Guerra Fria com a União Soviética.

Resposta russa

A Rússia nega qualquer plano de invasão, mas se considera ameaçada pela expansão da Otan nos últimos 20 anos, bem como pelo apoio ocidental à vizinha Ucrânia. No mês passado, Moscou exigiu amplas garantias de segurança do Ocidente, incluindo que a Ucrânia nunca seja autorizada a ingressar na Otan.

Washington deu uma resposta na quarta-feira em coordenação com os parceiros da Otan, dizendo que a Ucrânia tinha o direito de determinar seus próprios aliados, mas oferecendo à Rússia um diálogo sobre a colocação de mísseis na região e outras preocupações mútuas.

Nesta quinta-feira, altos funcionários em Moscou disseram que suas principais preocupações não foram abordadas, mas não descartaram novas negociações.

"Não se pode dizer que nossas opiniões foram levadas em consideração", declarou Dmitri Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin.

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, também apontou a ausência de uma "resposta positiva" à principal reivindicação russa, embora não tenha fechado a porta ao diálogo.

Nuland enfatizou que "apenas uma pessoa decide em Moscou e essa pessoa é o presidente Putin". "A bola está no campo dele".

- "Influência chinesa" -A China se posicionou pela primeira vez nesta crise, alinhando-se com a Rússia e instando os Estados Unidos a levar "a sério" as preocupações de segurança do Kremlin.

Em resposta, Washington pediu para que Pequim tente evitar o confronto.

"Pedimos a Pequim que use sua influência com Moscou para incentivar a diplomacia, porque se houver um conflito na Ucrânia, também não será bom para a China", alertou Nuland.

Havia preocupação nas ruas de Kiev de que a Ucrânia tivesse sido esquecida em meio a conversas de alto nível entre Moscou, Otan e Washington.

"Os Estados Unidos estão provocando a Rússia e a Rússia está provocando os Estados Unidos. E em algum lugar no meio está a Ucrânia", afirmou à AFP Dmytro Sylenko, empresário de 23 anos.

"O que importa para mim é que haja paz. Não me importo com o resto", continuou.

Apesar do aumento da crise nos últimos meses, a Ucrânia é foco de tensões desde 2014, quando a Rússia anexou a península da Crimeia, o que aumentou o conflito entre as autoridades pró-Ocidente de Kiev e os separatistas pró-Moscou na região leste Donbas, um confronto que deixou mais de 13 mil mortos.

Em uma reunião na quarta-feira em Paris, representantes ucranianos e russos, acompanhados por alemães e franceses, se comprometeram com o "respeito incondicional do cessar-fogo" decretado na região e agendaram uma nova reunião para o início de fevereiro.

O gabinete de Zelenski elogiou em um comunicado o "caráter construtivo" da reunião e o acordo para que as partes voltem a dialogar.

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