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Operação israelense na Cisjordânia deixa seis mortos

Palestinos inspecionam escombros de prédio atingido por um míssil israelita - Jaafar Ashtiyeh/AFP
Palestinos inspecionam escombros de prédio atingido por um míssil israelita Imagem: Jaafar Ashtiyeh/AFP

07/03/2023 15h10

Seis palestinos, incluindo o autor de um atentado que matou dois israelenses, morreram, na terça-feira (7), em uma operação militar israelense em Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada.

De acordo com vários relatos, as forças israelenses cercaram uma casa no campo de refugiados de Jenin, o que resultou em confrontos com homens armados lá entrincheirados, mas também com combatentes palestinos fora da casa.

As forças israelenses dispararam dois foguetes contra a casa sitiada, segundo testemunhas.

O Ministério da Saúde palestino anunciou que seis palestinos faleceram "pelas mãos da ocupação [israelense] em Jenin". São cinco homens entre 22 e 29 anos e um sexto de 49 anos.

Pelo menos outras 26 pessoas foram feridas por disparos, três delas em estado grave, afirmou a pasta.

O Exército israelense indicou, em nota, que realizou uma "operação" no campo de refugiados de Jenin, um reduto de grupos armados palestinos.

Um fotógrafo da AFP viu vários veículos blindados israelenses em movimento dentro do campo de refugiados, uma cidade dentro da cidade.

Após os confrontos, um jornalista da AFP entrou no que restava da casa e viu paredes crivadas de balas e muros inteiros derrubados.

As sirenes foram acionadas na terça-feira à noite em Nir Am, uma pequena cidade israelense a poucos quilômetros da Faixa de Gaza, depois que um foguete foi lançado a partir de um território controlado pelo grupo islamita Hamas, informou o exército israelense.

"Identificamos o lançamento de um foguete que parece ter explodido dentro da Faixa de Gaza", afirmou o exército em um comunicado.

- 'Perigosa escalada' -

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, indicou em um comunicado que o Exército havia "eliminado o abominável terrorista" que matou, em 26 de fevereiro, dois irmãos de 20 e 22 anos, moradores de uma colônia judaica no norte da Cisjordânia.

Trata-se de Abdel Fatah Hussein Khrusha, de 49 anos, acusado pelo Exército israelense de fazer parte do grupo islamista armado Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

Em resposta ao ataque, neste território ocupado por Israel desde 1967, dezenas de colonos israelenses invadiram na mesma noite a cidade palestina mais próxima, Huwara, e queimaram cerca de 30 casas e mais de 100 carros, de acordo com a Prefeitura.

Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência da Autoridade Palestina, disse que o uso de foguetes dentro de uma área urbana era um gesto de "guerra total", segundo a agência palestina Wafa.

Rudeina acusou o governo israelense de uma "perigosa escalada que ameaça incendiar a situação e destruir todos os esforços para restaurar a estabilidade".

No final de fevereiro, representantes palestinos e israelenses se comprometeram a "evitar novos atos de violência", após uma reunião na Jordânia.

O porta-voz da diplomacia jordaniana, Sinan Majali, condenou nesta terça-feira o que chamou de "agressão" israelense e alertou que "provocará mais deterioração" e "prorrogará os ciclos de violência". 

O Hamas afirmou que esta nova incursão tornará os palestinos "mais determinados a enfrentar a ocupação israelense e as milícias de colonos israelenses". 

O grupo Jihad Islâmica e o movimento Fatah, liderado pelo presidente palestino Mahmud Abbas, também condenaram a operação.

- Nova incursão em Nablus -

O Exército israelense e o serviço de segurança interna Shin Bet informaram ainda sobre outra incursão no campo de refugiados de Askar, na cidade de Nablus, também na Cisjordânia.

Lá, foram detidos dois filhos de Khrusha "suspeitos de ajudar e planejar o ataque terrorista". Algumas testemunhas indicaram que três homens foram detidos.

A operação em Jenin ocorre em plena celebração da festividade judaica do Purim e em um clima de tensão crescente desde o início do ano, pouco depois que o governo de Netanyahu, o mais à direita da história de Israel, assumiu o poder.

Só este ano, o conflito custou a vida de 71 palestinos, incluindo adultos e menores de idade, assim como de homens armados.

Do lado israelense, morreram 13 adultos e menores, entre eles civis e membros das forças de segurança. Também morreu uma mulher ucraniana, segundo levantamento da AFP baseado em fontes oficiais.

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© Agence France-Presse