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Por liberação de emendas, Centrão trava votações

Pedro Ladeira/Folhapress
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Renato Onofre

Brasília

21/11/2019 07h22

Os líderes partidários do chamado "Centrão", grupo de partidos formados por DEM, PP, PL, Republicanos e Solidariedade, travaram as votações do governo até que o Palácio do Planalto libere as emendas ainda não pagas pela votação da reforma da Previdência. O movimento foi apoiado pelo MDB, PSDB, Podemos e outras legendas. A dívida gira na casa dos R$ 2 bilhões.

O recado foi dado pessoalmente ao presidente Jair Bolsonaro durante um almoço no Palácio do Planalto, na tarde de ontem, com a presença do líder do DEM, Elmar Nascimento (BA); do presidente do Solidariedade, Paulinho da Força (SP); do deputado Cláudio Cajado (DEM-BA) e outros dois senadores.

Assim que ouviu a reclamação, o presidente questionou o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, sobre o valor devido. O ministro foi lacônico. Disse a Bolsonaro que se trata de R$ 2 bilhões prometidos dentro do pacote oferecido pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em abril. Para aprovar a Reforma da Previdência, Onyx prometeu destinar, além das emendas obrigatórias, um extra para cada deputado federal que votar a favor da reforma da Previdência no plenário da Câmara.

Nas últimas semanas, Ramos tem percorrido gabinetes da Câmara dos Deputados tentando convencer as lideranças políticas que o governo não tem, no momento, capacidade de arcar com todas as promessas. Os deputados ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo afirmam que o ministro defende publicamente que as promessas são "impossíveis de serem cumpridas", dada a atual situação financeira do País.

Não é a primeira vez que os deputados cobram do governo o pagamento de emendas prometidas. Em outubro, o jornal flagrou o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador da bancada do boi, cobrando o líder do governo na Câmara. Os dois sentaram sozinhos na segunda fila do Plenário da Câmara. Alceu, visivelmente irritado, cobrou.

"Eu tenho uma proposta oficial do governo. Foram eles que me disseram: Alceu, tu tem isso, isso e isso. E agora não tem mais?", reclamou o deputado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado 2° parágrafo, Paulinho da Força é do Solidariedade e não do PSL. A informação já foi corrigida.

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