PUBLICIDADE
Topo

Política

Oposição na Câmara se alia a PGR em críticas a força-tarefa

O procurador-geral da República Augusto Aras em entrevista ao vivo ao grupo de advogados progressistas Prerrogativas - Reprodução
O procurador-geral da República Augusto Aras em entrevista ao vivo ao grupo de advogados progressistas Prerrogativas Imagem: Reprodução

Renato Vasconcelos

01/08/2020 07h56

Partidos da oposição, que costumam criticar a atuação de Augusto Aras e sua proximidade com o presidente Jair Bolsonaro, agora usam as declarações do procurador-geral da República para atacar a Lava Jato. Desde que Aras afirmou, na última terça-feira, que a força-tarefa mantém dados sigilosos, parlamentares de PT e PSOL passaram a pedir que seja investigada a afirmação de que os procuradores de Curitiba mantêm dados em sigilo.

Em um evento de advogados, Aras disse que a força-tarefa estaria mantendo um banco de dados próprio, com informações de 38 mil pessoas, fora do alcance da Corregedoria do Ministério Público Federal. Aras também criticou custos para manter o grupo de procuradores e falou em "corrigir rumos para que o lavajatismo não perdure".

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) defendeu a investigação de "todas as práticas ilegais, imorais e politicamente dirigidas" por parte da operação Lava Jato. "Os procuradores da Lava Jato não são intocáveis, eles precisam ser investigados. Se a Lava Jato agiu certo e não tem medo dos seus métodos, é só abrir os dados."

Já o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) defende a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a operação Lava Jato. O pedido ainda não foi feito. "É o procurador-geral da República dizendo que a Lava Jato criou uma milícia judicial, que dispõe de informações sobre 38 mil brasileiros. (...) Essa milícia judicial dispõe de algum respaldo legal para criar um banco de dados para potenciais investigados?", questiona o deputado, em vídeo publicado em suas redes sociais.

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba repudiou o que chamou de "ataques genéricos" do procurador-geral. "Devem ser refutados os ataques genéricos e infundados às atividades de procuradores da República e as tentativas de interferir no seu trabalho independente, desenvolvido de modo coordenado em diferentes instâncias e instituições."

Divergência

Nem todos os parlamentares concordam com Aras. Políticos que costumam usar seus mandatos para defender o legado da Lava Jato foram a público nos últimos dias para criticar a postura do procurador-geral. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que é preciso "reagir aos mais fortes ataques do sistema corrupto". Já o deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) lembrou que, na Itália, os investigadores da Operação Mãos Limpas também foram atacados. "É absurdo e vamos fazer de tudo para evitar que isso aconteça aqui", afirmou.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Política