PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
15 dias

Bolsonaro diz que corrupção no governo não acabou, mas 'diminuiu muito'

"Podem acontecer problemas em alguns ministérios? Podem, mas não será da vontade nossa", disse Bolsonaro - Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
'Podem acontecer problemas em alguns ministérios? Podem, mas não será da vontade nossa', disse Bolsonaro Imagem: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo

Eduardo Gayer e Marcelo Mota

Em São Paulo

27/09/2021 13h04Atualizada em 27/09/2021 13h20

Com o governo bombardeado por denúncias de irregularidades, envolvendo, principalmente, as compras de vacinas contra a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu hoje que a corrupção não foi eliminada no governo federal.

Durante evento da Caixa Econômica Federal para dar início à programação para lembrar os mil dias de mandato, o chefe do Executivo disse que a corrupção "diminuiu muito" desde que tomou posse.

A declaração destoa do que afirmou o próprio Bolsonaro na 76ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, na última terça-feira (21). Na ocasião, o chefe do Executivo chegou a dizer que o Brasil estava há dois anos e oito meses "sem qualquer caso concreto de corrupção".

"Quando se fala em mil dias sem corrupção... Eliminou-se a corrupção? Obviamente que não. Podem acontecer problemas em alguns ministérios? Podem, mas não será da vontade nossa", disse Bolsonaro durante o evento da Caixa.

"Nós vamos buscar maneiras de, obviamente, apurar o caso e tomar providências cabíveis com outros poderes sobre aquele possível ato irregular. Mas diminuiu muito a corrupção no Brasil, muito", declarou Bolsonaro em discurso.

"As pressões no passado eram enormes, em governos anteriores. Hoje existem pressões? Existem, mas bem menores", acrescentou, dizendo, ainda, em tom positivo, que há hoje um ministério "cada vez mais casando com o Legislativo".

O presidente não esclareceu, contudo, se estaria falando de uma pasta específica ou de todos os ministérios, e também ignorou as dificuldades do Executivo na articulação com o Congresso.

A bandeira do combate à corrupção foi um dos pilares da campanha do atual presidente na eleição de 2018 — chamada hoje por ele de "completamente atípica".

"Não vai acontecer nos próximos 100 anos de forma igual", disse Bolsonaro, sem explicar exatamente a qual especificidade se referia.

"Estamos acompanhando já os debates antecipados para 2022. Eu sou o melhor? Não. Aqui mesmo, tem dezenas pessoas melhores do que eu, mas quis o destino que caísse o governo, a Presidência ficasse comigo, superando a facada. Uma eleição completamente atípica", acrescentou.

Durante o evento, Bolsonaro ainda fez elogios ao presidente da Caixa, Pedro Guimarães, citando especificamente o auxílio emergencial e os programas de crédito do banco público, e ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, responsável pelas inaugurações de obras. A busca de uma "agenda positiva" vislumbra as eleições de 2022.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.