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4 meses

Podemos busca Cidadania para formar federação e primeira aliança pró-Moro

Pré-candidatura de Moro também poderá contar com endosso do União Brasil, também disputada por Doria - Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo
Pré-candidatura de Moro também poderá contar com endosso do União Brasil, também disputada por Doria Imagem: Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo

Lauriberto Pompeu

Em Brasília

18/01/2022 14h11Atualizada em 18/01/2022 14h12

Em busca de alianças políticas que possam turbinar a campanha do ex-ministro Sérgio Moro (Podemos), a presidente do partido, deputada Renata Abreu (SP), se reuniu no fim de semana com o Cidadania para discutir a formação de uma federação partidária, uma das novidades desta eleição.

Caso confirmada, a união garantiria a primeira legenda na coligação de Moro, ampliando recursos e tempo de TV. O Podemos é considerada uma sigla pequena, com apenas a 12ª maior fatia do fundo eleitoral neste ano, de R$ 229 milhões.

O movimento do Podemos acontece depois de o Cidadania também abrir conversa para formar federação com o PSDB, que tem o governador de São Paulo, João Doria, como pré-candidato a presidente.

Diferentemente das coligações - proibidas nas eleições proporcionais já em 2020 -, as federações vão muito além da disputa eleitoral: criam uma "fusão" temporária entre as siglas envolvidas, que precisam permanecer unidas por pelo menos quatro anos. Os partidos têm até 2 de abril para registrar as alianças.

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, afirmou que no encontro com Renata Abreu, no último sábado (15), os dois ficaram de discutir a ideia de uma união internamente nas legendas.

De acordo com o dirigente do Cidadania, se a aliança for confirmada, a sigla retiraria a pré-candidatura do senador Alessandro Vieira ao Palácio do Planalto.

"Na possibilidade de uma federação com um partido que tem candidato a presidente, você está assumindo que aquela será a candidatura sua também se você aprovar", afirmou.

Tanto o Cidadania, com sete deputados, e o Podemos, com 11, estão ameaçados de ficarem sem o fundo partidário e o tempo de propaganda de rádio e televisão.

A cláusula de desempenho determina que os partidos precisarão eleger pelo menos 11 deputados federais em 2022 para ter acesso aos recursos.

Segundo o dirigente partidário do Cidadania, a sigla precisa decidir se vai formar federação com o PSDB, com o Podemos ou se não vai formar com nenhum partido. Nas últimas semanas, Freire também tem conversado com o presidente do PSDB, Bruno Araújo.

Alessandro Vieira evitou se posicionar e disse que vai aguardar o assunto ser debatido pela Executiva Nacional do Cidadania. De acordo com ele, uma reunião está prevista para amanhã. "É preciso definir as condições, em especial nos palanques regionais", declarou.

No Distrito Federal, os senadores Reguffe (Podemos) e Leila Barros (Cidadania) são pré-candidatos ao governo. Já em relação à união com os tucanos, na Paraíba o PSDB faz oposição ao governador João Azevedo (Cidadania).

Para ser chancelada, a federação precisa ser aprovada pelas executivas e diretórios nacionais das legendas envolvidas. O processo também envolve a elaboração de um programa partidário comum. O novo instrumento foi aprovado pelo Congresso no ano passado e virou uma alternativa às coligações, que deixaram de existir.

A modalidade é mais rigorosa que a regra anterior porque exige que a união permaneça por no mínimo quatro anos e seja reproduzida também nos estados.

Nas coligações, as alianças poderiam ser desfeitas a qualquer momento e não havia exigência de unidade em todos os estados.

Além do Cidadania, outro partido que Doria e Moro disputam é o União Brasil, que é a fusão do DEM com o PSL. Em entrevista a uma rádio da Bahia ontem, Moro confirmou que busca alianças com Cidadania, Novo, União Brasil e PSDB, mas deixou claro que ainda não há definições.

"Não existe governo de um partido só. A gente quer fazer uma grande aliança nacional entre partidos, mas também com a sociedade civil, em cima de um projeto que faça sentido", afirmou.

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