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Italianos enviam carta à Embraco no Brasil contra demissões

26/02/2018 15h40

TURIM, 26 FEV (ANSA) - Os trabalhadores de uma fábrica da Embraco no norte da Itália enviaram uma carta para o vice-presidente de operações da empresa brasileira, Paulo Henrique Teixeira, por conta da decisão de fechar a unidade de produção e demitir quase 500 funcionários.   

Na correspondência, os operários citam uma passagem do código de ética da multinacional norte-americana Whirlpool, dona da Embraco, no qual fala-se em agir com "correção e respeito pelo indivíduo e a coletividade em geral, sempre consciente de que não existe um modo certo de fazer a coisa errada".   

Os trabalhadores sustentam que a Embraco é um "exemplo negativo para a comunidade e um exemplo flagrante dos efeitos do deus dinheiro, pelo qual não se olha no rosto de ninguém, neste caso, de homens, mulheres e crianças".   

A Embraco causou revolta na Itália ao decidir fechar sua fábrica em Riva presso Chieri, na província de Turim, que emprega cerca de 530 pessoas, e demitir 497 funcionários, apesar de ter recebido financiamentos públicos para continuar operando no país.   

O objetivo da empresa do grupo Whirlpool é concentrar sua produção de compressores para refrigeradores na Eslováquia, mantendo na Itália apenas sua presença comercial. Por meio de uma nota, a Embraco diz que a decisão foi motivada pelo "cenário competitivo e complexidades de longa data que impossibilitavam que a planta fosse lucrativa, apesar de investimentos significativos e esforços de reestruturação pela companhia".   

"A Embraco está ciente de suas responsabilidades para com seus empregados e compromete-se a trabalhar em estreita cooperação com representantes de classe, autoridades públicas e locais a fim de encontrar soluções adequadas e viáveis para as pessoas impactadas", afirma o comunicado.   

O caso estourou em plena campanha para as eleições legislativas de 4 de março, quando os italianos renovarão o Parlamento. O ministro do Desenvolvimento Econômico Carlo Calenda chegou a chamar os dirigentes da Embraco de "gentalha", e todos os candidatos a primeiro-ministro saíram em defesa dos trabalhadores da companhia.   

Na semana passada, a empresa recusou uma proposta do governo para cancelar as demissões e colocar os trabalhadores na "caixa integração", quando parte dos salários é bancada pelo poder público. Tal medida faria os dois lados ganharem tempo para negociar uma solução definitiva para os operários. (ANSA)
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