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"Calem-se as armas!", pede papa Francisco em 1º discurso no Iraque

Papa Francisco fez seu primeiro discurso em Bagdá, no Iraque, pedindo o fim do extremismo no país - Iraqiya TV/Reuters
Papa Francisco fez seu primeiro discurso em Bagdá, no Iraque, pedindo o fim do extremismo no país Imagem: Iraqiya TV/Reuters

05/03/2021 11h26

Em seu primeiro discurso no Iraque, o papa Francisco cobrou nesta sexta-feira (5) que a comunidade internacional não imponha "interesses políticos e ideológicos" ao país e pediu o fim dos "extremismos".

Logo após desembarcar no Aeroporto Internacional de Bagdá, Jorge Bergoglio se reuniu com representantes do governo, da sociedade civil e do corpo diplomático no Palácio Presidencial da capital.

"Calem-se as armas! Que sua difusão seja limitada, aqui e em todos os lugares. Que cessem os interesses das partes, esses interesses externos que não interessam à população local. Que se dê voz aos construtores, aos artesãos da paz! Aos pequenos, aos pobres, ao povo simples, que quer viver, trabalhar, rezar em paz. Chega de violências, extremismos, facções e intolerâncias", disse.

Em seguida, Francisco fez um apelo para que a comunidade internacional exerça um papel de pacificação no Iraque e no Oriente Médio, "mas sem impor interesses políticos ou ideológicos". "Espero que as nações não retirem a mão estendida ao povo iraquiano pela amizade e pelo empenho construtivo, mas sim continuem a operar em espírito de responsabilidade comum com as autoridades locais", acrescentou.

Teatro de guerras em sequência desde o início do século, o Iraque está no centro das disputas entre Estados Unidos e Irã.

Há pouco mais de um ano, os EUA mataram o poderoso general iraniano Qassem Soleimani em um bombardeio no Aeroporto de Bagdá, enquanto Teerã reagiu com um ataque aéreo contra uma base americana no país vizinho.

Mais recentemente, já no governo de Joe Biden, os Estados Unidos bombardearam posições de milícias pró-Irã na Síria, mas perto da fronteira iraquiana, enquanto foguetes de fabricação iraniana atingiram uma base militar usada por americanos.

Diálogo

Em seu discurso às autoridades locais, o Papa também pediu ao governo do Iraque que "dê espaço a todos os cidadãos que queiram construir o país juntos".

"É indispensável assegurar a participação de todos os grupos políticos, sociais e religiosos e garantir os direitos fundamentais de todos os cidadãos. Ninguém pode ser considerado cidadão de segunda classe", salientou.

Os católicos correspondem a 1% dos quase 40 milhões de habitantes do Iraque, sendo que a maioria segue ritos das antigas igrejas orientais que estão em comunhão com o Vaticano, como a Caldeia, com cerca de 250 mil fiéis.

"A diversidade religiosa, cultural e étnica que caracterizou a sociedade iraquiana por milênios é um recurso precioso, e não um obstáculo. Hoje o Iraque é chamado a mostrar a todos, especialmente no Oriente Médio, que as diferenças devem cooperar em harmonia na vida civil", declarou Francisco.

Segundo o pontífice, o Iraque sofreu os "desastres das guerras e o flagelo do terrorismo e dos conflitos sectários, frequentemente baseados em um fundamentalismo que não aceita a coexistência pacífica de vários grupos étnicos e religiosos".

Essa é a primeira visita oficial de um papa ao Iraque e está carregada de simbolismos. Durante a viagem, Francisco promoverá um encontro inter-religioso na planície de Ur, que segundo a tradição bíblica é a terra natal de Abraão, pai das três grandes religiões monoteístas.

Além disso, Bergoglio visitará áreas devastadas pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), como Mosul, que foi o principal bastião da milícia no Iraque, e Qaraqosh, maior cidade cristã do país.

Francisco está usando uma BMW blindada em seus deslocamentos no Iraque e só deve andar em carro aberto em um estádio de Irbil, no Curdistão, onde fará uma missa para 10 mil pessoas, apesar da pandemia do novo coronavírus.

Desde o início de seu pontificado, Bergoglio tinha o hábito de recusar automóveis blindados em viagens internacionais. As ruas de Bagdá estão tomadas por militares e policiais, mas com poucos civis devido ao lockdown vigente no país.

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