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Papa e Kerry debatem crise climática e sustentabilidade

Enviado especial para o Clima dos Estados Unidos, John Kerry foi recebido pelo papa Francisco no Vaticano - AFP
Enviado especial para o Clima dos Estados Unidos, John Kerry foi recebido pelo papa Francisco no Vaticano Imagem: AFP

15/05/2021 10h50

O papa Francisco recebeu na manhã deste sábado (15) o enviado especial para o Clima dos Estados Unidos, John Kerry, no Vaticano, informou a Sala de Imprensa da Santa Sé.

Este é o primeiro encontro do Pontífice com um representante do alto escalão do governo do presidente democrata, Joe Biden.

Segundo o "Vatican News", Jorge Bergoglio e Kerry debateram "a proteção do meio ambiente, a crise ambiental e climática e os próximos passos a serem dados para uma abordagem sustentável".

"O Papa é uma das grandes vozes da razão e uma autoridade moral convincente na questão da crise climática. Ele foi um precursor, antecipando os tempos. A sua Encíclica Laudato Sì é de fato um documento muito poderoso, eloquente e muito persuasivo do ponto de vista moral", afirmou o americano à publicação.

Durante a entrevista, Kerry ressaltou que Francisco será uma voz importante que "nos acompanhará até à Conferência de Glasgow". A COP26 será realizada na Escócia, em novembro, e, de acordo com o enviado de Biden, o argentino pode participar.

"Francisco fala com uma autoridade única, uma autoridade moral irresistível. Esperançosamente, isso ajudará a impulsionar as pessoas com mais ambição para chegar lá. Nós podemos fazer isso. Isso é o mais importante. As pessoas precisam saber que isso é viável. E, ao fazer isso, podemos criar milhões de empregos. Podemos ter um ar mais limpo. Podemos ter uma saúde melhor. Podemos ter menos casos de câncer. Podemos ter menos problemas relacionados à poluição do ar", enfatizou.

O enviado americano ainda chamou todos para esta batalha. "Todos os líderes do mundo devem se unir e cada país deve fazer sua parte. E acho que o Santo Padre fala com uma autoridade moral única".

Kerry ainda explicou que todos os líderes mundiais devem se unir e cada país deve fazer a sua parte, cada um de acordo com suas possibilidade, neste compromisso de proteger o meio ambiente.

O enviado do democrata já realizou uma série de encontros na Itália, incluindo com o presidente Sergio Mattarella, o primeiro-ministro, Mario Draghi, além dos ministros da Transição Ecológica, Roberto Cingolani, e das Relações Exteriores, Luigi Di Maio.

China

Mais cedo, em entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", o representante do governo Biden disse que a cooperação entre os Estados Unidos e a China para conter a crise climática e proteger o meio ambiente é crucial e independente das divisões de ambos em direitos humanos.

"Não há nada mais importante do que a cooperação entre os Estados Unidos e a China no clima", disse.

Respondendo à questão de se a questão dos direitos humanos poderia inviabilizar o diálogo climático, ele disse esperar que não.

"Estamos empenhados em tentar manter um caminho separado sobre o Clima, que não envolva trocas com outras questões".

"Clima é clima, uma questão em si, não vamos ceder aos direitos humanos de ninguém ou outros aspectos", afirmou ele, acrescentando que "uma das áreas em que" ambos países podem cooperar "é o clima".

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