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'Queiroz cuida da vida dele, eu cuido da minha', diz Bolsonaro na China

Ricardo Senra

Enviado da BBC News Brasil a Pequim

24/10/2019 12h34Atualizada em 24/10/2019 21h51

Presidente comentou áudio de ex-assessor de Flavio Bolsonaro divulgado pelo jornal O Globo nesta quinta-feira.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (24/10) em Pequim, após jantar com empresários brasileiros, que não ouviu o áudio que mostra o ex-assessor parlamentar do senador Flávio Bolsonaro discutindo cargos no Congresso em junho deste ano.

"Eu não sei dessa informação. Por favor, por favor. O (Fabrício) Queiroz cuida da vida dele, eu cuido da minha", disse o presidente a jornalistas.

"Por favor, a minha preocupação aqui para eu não acabar a entrevista com vocês é tratar das questões do interesse de todos os brasileiros", prosseguiu.

Mais tarde, questionado novamente sobre as falas do ex-assessor, divulgadas nesta quinta pelo jornal O Globo, Bolsonaro pergunta: "Ele falou que está negociando cargo, é isso?"

Em seguida complementa: "Eu não falo com o Queiroz desde que aconteceu esse problema", em referência às primeiras denúncias sobre as suspeitas de prática da rachadinha (quando assessores devolvem parcela de seu salário a políticos), no final de 2018.

Segundo áudio de WhatsApp datado de junho e divulgado pelo jornal O Globo, Queiroz continuaria negociando cargos no em gabinetes e comissões do Poder Legislativo federal.

"Tem mais de 500 cargos, cara, lá na Câmara e no Senado. Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles (em referência à família Bolsonaro) em nada, em nada. 20 continho aí para gente caía bem pra c**, entendeu", diz Queiroz a um interlocutor, de acordo com o áudio divulgado.

"O gabinete do Flávio faz fila de deputados e senadores lá, pessoal pra conversar com ele. Faz fila. É só chegar, meu irmão: 'Nomeia fulano aí, para trabalhar contigo'. Salariozinho bom desse aí, cara, pra gente que é pai de família, cai como uma uva (sic)."

Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro quando este era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio e foi exonerado no ano passado. Ele é investigado desde que vieram à tona supostas movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão em sua conta, segundo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Liberação de vistos a chineses

Repetindo o gesto de sua primeira visita oficial aos Estados Unidos, Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira, na China, que vai isentar cidadãos chineses da necessidade de visto de viagens para o Brasil.

"Vamos o mais rápido possível, seguindo a legislação, isentar turistas chineses de visto", disse o presidente em conversa com jornalistas após um jantar com executivos brasileiros no hotel em que está hospedado, em Pequim.

Questionado se haverá reciprocidade à medida ? ou seja, se os chineses também deverão liberar os brasileiros de vistos ? Bolsonaro passou a palavra ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. "Responde aí."

"Não necessariamente", emendou o chanceler. "A questão é atrair o turismo chinês e ver quais as maneiras de fazer isso até lá."

A China tem uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Para o governo brasileiro, o fim dos vistos será um estímulo para que parte da população do país mais populoso do mundo cruze o planeta para visitar o Brasil.

Hoje, o Brasil recebe em torno de apenas 60 mil chineses por ano.

A medida deverá valer para viagens a turismo e a negócios, como no modelo oferecido pelo Brasil a cidadãos dos Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá no inicio deste ano. Como deverá acontecer com a China, esses países não precisaram retribuir a medida.

O presidente também anunciou que "pretende fazer a mesma coisa com a Índia", sem dar mais detalhes.

Para ilustrar a importância da medida, Bolsonaro citou um encontro com o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.

"Lá, 25% da economia é turismo. Acho que o nosso Brasil pode chegar na média próximo disso", afirmou.

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Gilmar Mendes suspende investigação de Queiroz

Band News

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido até filiar ao PL para disputar a eleição de 2022, quando foi derrotado em sua tentativa de reeleição.