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Guerra da Rússia-Ucrânia

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Guerra na Ucrânia: como era o poderoso navio russo que afundou no Mar Negro

O Moskva patrulhando o Mar Mediterrâneo ao longo da costa da Síria - MAX DELANY/AFP
O Moskva patrulhando o Mar Mediterrâneo ao longo da costa da Síria Imagem: MAX DELANY/AFP

14/04/2022 18h40

Cruzador de mísseis Moskva submergiu após incêndio causado por explosivo; Ucrânia assumiu responsabilidade pelo ataque

O cruzador de mísseis Moskva, principal navio da frota russa do Mar Negro, afundou após ser profundamente danificado por uma explosão na quarta-feira (13/04).

A embarcação estava sendo rebocado para o porto quando "mares tempestuosos" o fizeram afundar, de acordo com o Ministério da Defesa russo.

O governo da Ucrânia afirma que a explosão foi causada por um ataque executado por suas forças. Segundo as Forças Armadas ucranianas, eles teriam utilizado um míssil Neptune fabricado nacionalmente.

Moscou, por sua vez, não fez nenhuma menção a bombardeios em suas declarações. As forças russas se limitaram a dizer que o incêndio a bordo foi causado por uma "explosão de munição" no Moskva.

O navio com capacidade para 510 tripulantes era um símbolo do poder militar da Rússia e liderou a parte naval do ataque russo à Ucrânia.

O que se sabe sobre o Moskva?

Originalmente construído na Ucrânia na era soviética, o navio entrou em serviço no início dos anos 80, de acordo com a imprensa russa.

O cruzador foi anteriormente usado por Moscou no conflito na Síria, onde forneceu proteção naval às forças russas no país.

O Moskva carrega mais de uma dúzia de mísseis antinavio Vulkan e uma série de armas antissubmarino e torpedos. Ele ainda era equipado com um helicóptero e podia alcançar uma velocidade de 59 quilômetros por hora.

O cruzador é o segundo grade navio russo severamente danificado desde o início da invasão à Ucrânia.

Quais as defesas do navio?

O cruzador da classe Slava era o terceiro maior navio ativo de toda a frota da Rússia e um de seus equipamentos que possuía melhor sistema de defesa, afirmou Jonathan Bentham, especialista naval do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos à BBC News.

O cruzador estava equipado com um sistema de defesa aérea de três camadas que, funcionando corretamente, fornecia três oportunidades de proteção em caso de um ataque de mísseis Neptune.

Além das defesas de médio e curto alcance, ele podia ainda ativar seis sistemas de armas de defesa próxima como último recurso.

"O Moskva deve ter cobertura de defesa antiaérea de 360 graus. O sistema CIWS (Sistema de Armas de Defesa Próxima) pode disparar 5.000 tiros em um minuto, essencialmente criando uma parede de artilharia ao redor do cruzador, sua última linha de defesa", explica Bentham.

Se for comprovado que o ataque veio de um míssil, "levantará questões sobre as capacidades de modernização da frota de superfície russa: se tinha munição suficiente, se tinha problemas de engenharia".

"Essencialmente, em tese, esse sistema de defesa antiaérea de três camadas seria muito difícil de acertar", acrescentou o especialista militar.

Domínio no Mar Negro

O navio de guerra era um "símbolo do poder naval russo no Mar Negro", disse Michael Petersen, do Instituto de Estudos Marítimos da Rússia, à BBC.

"O Moskva tem sido uma pedra no sapato dos ucranianos desde o início deste conflito. Vê-lo tão danificado... acho que será um verdadeiro impulso de moral para os ucranianos."

Os militares russos têm sido dominantes no Mar Negro desde a anexação da Crimeia em 2014 e usaram sua presença lá para lançar e fornecer apoio à invasão.

A frota do Mar Negro colaborou com a guerra por sua capacidade de lançar mísseis de cruzeiro em qualquer lugar da Ucrânia. Foi ainda importante no apoio às tentativas russas de capturar Mariupol.

Ilha da Cobra

Nos primeiros dias da invasão da Rússia, o Moskva protagonizou um dos momentos marcantes da guerra. O navio foi usado em um ataque à Ilha da Cobra, na fronteira romena, no qual 19 marinheiros ucranianos foram interceptados.

A tropa da Ucrânia inicialmente se recusou a se render e ficou desaparecida por um período, levando a acreditar que os soldados estavam mortos. Mais tarde descobriu-se que eles haviam sido capturados.

Os soldados foram libertados mais tarde como parte de um acordo e em troca de prisioneiros russos. O comandante da tropa ucraniana foi homenageado com uma medalha pelas Forças Armadas de seu país.

Os relatos de sua bravura serviram como um impulso para o moral da Ucrânia e a companhia responsável pelos serviços postais no país chegou a criar um selo especial como uma ilustração da Ilha da Cobra.

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