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Grupo chinês começa a fabricar medicamento experimental para coronavírus

7.fev.2020 - Agentes de saúde medem a temperatura de morador na cidade de Taojiazhen, no sudoeste da China, em meio à epidemia - Liu Chan/Xinhua
7.fev.2020 - Agentes de saúde medem a temperatura de morador na cidade de Taojiazhen, no sudoeste da China, em meio à epidemia Imagem: Liu Chan/Xinhua

Bloomberg News

12/02/2020 09h12

Uma farmacêutica chinesa disse que começou a produzir em larga escala um medicamento experimental da Gilead Sciences que teria potencial para combater o novo coronavírus, despertando preocupações de que a gigante dos EUA esteja perdendo o controle de suas patentes na corrida da China para combater o surto.

Com sede em Suzhou, a BrightGene Bio-Medical Technology disse em comunicado enviado à Bolsa de Valores de Xangai, na noite de ontem, que desenvolveu a tecnologia para sintetizar os ingredientes farmacêuticos ativos do remdesivir, o medicamento da Gilead com maior probabilidade para tratar o vírus altamente infeccioso que já matou mais de mil pessoas. O medicamento ainda não está licenciado ou aprovado em nenhum país.

Embora a BrightGene tenha dito que pretende licenciar o medicamento da Gilead, a decisão de começar a fabricação nesta fase inicial é altamente incomum e uma potencial violação de propriedade intelectual da empresa norte-americana. Há uma semana, pesquisadores chineses entraram com um pedido de patente do medicamento para tratar o novo coronavírus, uma medida que daria à China influência sobre o uso global da terapia para combater o surto.

"Em geral, a produção constitui uma violação de patente, mas há uma exceção se a produção se destinar apenas à aprovação regulatória, e não à venda no mercado", disse Wang Yanyu, sócio especializado em propriedade intelectual da AllBright Law Offices, em Pequim.

Grandes áreas da China foram paralisadas pela epidemia de coronavírus, e o medicamento da Gilead é visto como um avanço potencial depois de mostrar sinais de eficácia em pacientes infectados nos EUA. Pesquisadores chineses agora testam o medicamento em 761 pacientes em ensaios clínicos em Wuhan.

A BrightGene disse que terá que licenciar a patente da Gilead, conduzir ensaios clínicos e obter aprovações regulatórias antes de poder vender o medicamento no mercado. A tecnologia desenvolvida para fabricar o remdesivir pode não ter muito valor se o medicamento não produzir resultados ideais nos ensaios clínicos em andamento ou se a epidemia for controlada em breve, afirmou.

A Gilead não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o anúncio da BrightGene. Na semana passada, a empresa disse que havia inventado o remdesivir e patenteado o medicamento na China, incluindo pedidos de patentes para seu uso em coronavírus. A empresa também havia informado que está trabalhando com autoridades chinesas, norte-americanas e da Organização Mundial da Saúde para determinar rapidamente se o medicamento pode ser usado para tratar o vírus.A BrightGene não respondeu imediatamente às perguntas da Bloomberg sobre a produção do remdesivir.

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