Dissidentes cubanos recebem convite para reunião com Obama

Em Havana

  • Enrique de la Osa/Reuters

    Berta Soler, líder do grupo oposicionista As Damas de Branco, seria um dos convidados

    Berta Soler, líder do grupo oposicionista As Damas de Branco, seria um dos convidados

Vários dissidentes cubanos confirmaram nesta quarta-feira (16) para a Agência Efe que foram convidados para um encontro de "alto nível" com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Embaixada Americana em Havana, no próximo dia 22 de março, durante a histórica visita do líder a Cuba, que começa no domingo.

Entre os que receberam o convite estão a líder do movimento feminino Damas de Branco, Berta Soler; o ex-preso político José Daniel Ferrer, que lidera a União Patriótica de Cuba (Unpacu); e a jornalista independente Miriam Leiva, segundo os mesmos disseram à Efe.

Berta, que se recusou a participar de uma recepção privada com o secretário de Estado americano, John Kerry, quando este esteve em Havana em 14 de agosto para a abertura formal da embaixada, explicou hoje que ainda não decidiu se comparecerá ao encontro com Obama.

Naquela ocasião, Berta não quis comparecer à reunião com Kerry porque os EUA não haviam convidado os dissidentes para o ato formal de abertura da embaixada, mas manteve com eles um encontro posterior de caráter privado, de "baixo perfil", segundo a líder das Damas de Branco.

No caso de Ferrer e Miriam, que estiveram presentes no encontro com Kerry, os dois confirmaram que devem comparecer à reunião na embaixada americana na próxima terça-feira.

O convite também foi enviado a Elizardo Sánchez, um veterano dissidente que coordena a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), o único grupo que se dedica a registrar e documentar os casos de repressão e detenções por motivos políticos na ilha.

"Fui convidado por telefone", respondeu Sánchez à Efe através de um e-mail enviado dos EUA, onde se encontra de visita, mas seus familiares em Havana informaram que ele voltará à ilha no próximo fim de semana.

Outros opositores como Guillermo Fariñas, ganhador do prêmio Sakharov aos Direitos Humanos em 2010; o diretor do fórum crítico "Estado de Sats" e integrante da iniciativa #TodosMarchamos, Antonio González-Rodiles; e Manuel Cuesta Morúa, do projeto Arco Progressista, assinalaram que também foram convidados.

A visita de Barack Obama a Cuba acontecerá entre os dias 20 e 22 de março, a primeira de um governante dos EUA à ilha em 88 anos, e tem o propósito de ampliar os avanços conseguidos após o restabelecimento de relações diplomáticas e incidir nas melhoras pendentes relativas aos direitos humanos, segundo o próprio Obama disse recentemente.

A Casa Branca adiantou hoje alguns detalhes da agenda do presidente em Cuba. Obama oferecerá na próxima terça-feira um "grande discurso" no Gran Teatro de Havana, e depois se reunirá com "integrantes da sociedade civil" cubana, entre eles, alguns "dissidentes de destaque".

A situação dos direitos e liberdades em Cuba é um dos assuntos mais polêmicos a serem superados nas relações entre a ilha e os EUA, no novo cenário criado após o degelo diplomático que teve início em 17 de dezembro de 2014.

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