Chanceler mexicano diz que pagar muro de Trump é inaceitável por "dignidade"

Em Washington

  • Ginnette Riquelme/Reuters

    Videgaray estava nos EUA preparando encontro que não mais se realizará

    Videgaray estava nos EUA preparando encontro que não mais se realizará

O ministro das Relações Exteriores do México, Luis Videgaray, disse na quinta-feira (26), em Washington (Estados Unidos), que pagar o muro que pretende construir o presidente americano, Donald Trump, na fronteira entre os países é algo que não pode ser aceito pelo seu povo por "dignidade".

"Há questões que são (inaceitáveis) por dignidade, que não têm a ver com as exportações ou economia, mas com o coração e orgulho dos mexicanos", afirmou o chanceler em entrevista coletiva na Embaixada do México.

"Assim como oferecemos respeito, os mexicanos devem respeitar a nós mesmos, nossa história e símbolos nacionais."

Videgaray também disse que a tarifa sobre as importações de produtos mexicanos, como sugeriu o governo de Donald Trump (de 20%), acabaria sendo paga pelos consumidores americanos.

"Um imposto sobre importações dos Estados Unidos a produtos mexicanos não é maneira de fazer com que o México pague pelo muro, mas sim o consumidor americano, que pagaria mais caros os abacates, máquinas de lavar, televisores", argumentou o chanceler.

Videgaray compareceu diante dos jornalistas ao lado do secretário de Economia mexicano, Ildefonso Guajardo, no final de sua visita de dois dias à capital americana para preparar o encontro - cancelado nesta quinta-feira - do presidente do México, Enrique Peña Nieto, com Trump, previsto para próxima semana.

O chanceler confia em retomar as "reuniões de alto nível" com o governo dos EUA "nas próximas semanas" apesar do cancelamento do encontro dos presidentes e a "decepção" e "estranheza" que produziu Trump quando anunciou a assinatura do decreto do muro na véspera de sua visita.

"Reiteramos a vontade firme do governo do México de continuar em comunicação estreita no mais alto nível com o governo dos Estados Unidos, vamos seguir negociando e vamos chegar a muito bons acordos", afirmou.

Trump sustenta que o muro será pago pelo México, enquanto para o governo de Peña Nieto essa é a linha vermelha que não vai se transferir de modo algum.

O chanceler reiterou que o México não pagará o muro "sob nenhuma circunstância" e que há "coisas (como o muro) que não podem e nem serão negociáveis".

"Reconhecemos nos Estados Unidos uma nação soberana com pleno direito de proteger suas fronteiras conforme o decida o povo e o governo. Nós não concordamos em que o muro seja a melhor maneira de proteger ou gerar uma boa convivência entre vizinhos, mas podem defender suas fronteiras como melhor parecer para eles", afirmou.

"Mas daí pretender que seja o povo do México que pague por um muro é passar de uma ação soberana a algo que é profundamente inaceitável", completou o chanceler.
 

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